terça-feira, 19 de agosto de 2014

Falsear a verdade e propagar o pessimismo para derrotar o adversário



Por Marilza de Melo Foucher - de Paris

A situação econômica no Brasil logicamente não é das mais brilhantes neste ano eleitoral, todavia, analisar somente a utilização de um único dado econômico, por exemplo, a baixa da taxa de crescimento do PIB, não reflete a realidade global de um país. O PIB é um indicador econômico controverso, ele mede a renda, mas não a sua distribuição, o crescimento, mas não a sua destruição, e não leva em conta fatores como a coesão social e o meio ambiente.

Um país pode crescer economicamente e manter o nível de desigualdade na distribuição de riquezas e de acesso ao bem comum. O desenvolvimento de um país deve conciliar a inclusão social com a estabilidade econômica e a proteção ambiental. Devemos ver a economia como uma visão macroeconômica para o desenvolvimento inclusivo. Uma economia deve estar em harmonia com a sociedade e o mundo em que vivemos.

Uma política econômica deve impulsionar o crescimento de forma sustentável, mais ecológica, capaz de criar postos de trabalho, de reduzir a pobreza e repartir melhor suas riquezas. Nesse sentido, o Brasil prosperou com relação a muitos países pois, apesar de um contexto mundial difícil, o Brasil continuou criando empregos e tendo uma melhor inclusão social. Em todo o período Lula-Dilma, até maio de 2014, o Brasil gerou 20,4 milhões de novos empregos. Um dado ilustrativo é que de 2003 até hoje, a renda do trabalhador cresceu 70% acima da inflação.

O Bolsa Família tão criticado por articulistas econômicos e pela oposição, é um programa citado como exemplo de política pública que tem combatido a pobreza com efetividade. “Constitui um piso de proteção social”, como afirmou Jorge Chedieki, chefe do escritório do Programa das Nações Unidas para Nações em Desenvolvimento (PNUD), em Brasília. O Relatório de Desenvolvimento Humano de 2014 do PNUD, que traz os dados do IDH de 2013, o Brasil figura de novo no grupo dos países com desenvolvimento humano ‘alto’, a segunda entre quatro categorias definidas no Programa.

Logicamente, ainda faltam serviços públicos de melhor qualidade e as desigualdades regionais e sociais ainda persistem. Só não se pode negar é que esforços não tenham sido feito nesse sentido. Para isto basta analisar a evolução dos programas sociais implantados nessa ultima década. O aumento do orçamento destinado a educação em 2002 era 18 bilhões de R$ e hoje o orçamento chega a 112 bilhões R$.

Se levarmos em conta também a crise financeira sem precedente desde 2008, o Brasil tem resistido melhor, por exemplo, que muitos países europeus, que optaram pela receita da austeridade. Os governos de Lula e Dilma optaram por outro caminho. Enquanto a crise econômica internacional fez a política social em diversos países regredir, como se constata na União Européia, o Brasil preservou sua capacidade de investimento, e manteve a salvo os empregos de milhões de brasileiros. O governo brasileiro conseguiu assegurar as melhorias para as camadas mais pobres da população e, ao mesmo tempo, preservou a estabilidade macroeconômica. O aumento no nível de investimento, do gasto público e a ampliação do crédito em plena crise foram determinantes no enfrentamento da crise mundial.

A política adotada na Europa pelos governos atualmente mais conservadores foi de tomar medidas drásticas para diminuir as despesas públicas reduzindo os custos sociais, desregulando o mundo do trabalho, limitando os direitos dos trabalhadores. Além de medidas fiscais regressivas, que só beneficiam o grande capital. Essas medidas levaram as nações européias a bater recorde de números do desemprego jovem.
Hoje, a Europa tem uma juventude candidata a uma pobreza de longo prazo. O poder aquisitivo dos europeus não para de diminuir. No mais, a política de austeridade não teve o resultado almejado e provocou um débil crescimento econômico. Atualmente, esta política coloca em perigo o modelo social europeu que muitos países do mundo invejavam. Anteriormente os governos europeus conseguiam conciliar o desenvolvimento econômico com a questão social. Agora, na União Europeia, morosidade e pessimismo são a regra.

Muitos países estão em recessão, como a Holanda, Portugal, Estônia, Portugal, Chipre, Finlândia, Grécia. A França, provavelmente, com crescimento negativo, entrará também no rol dos países em recessão. A taxa de desemprego na zona euro é de 12% em 2014 e aponta para 11,7% em 2015. A zona do euro atravessa uma fase de baixo crescimento da produtividade, o impacto do desemprego de longa duração e um futuro não assegurado para os jovens. Hoje, o mercado de trabalho é inadequado para absorver a massa de desempregados.

As cicatrizes sociais da crise estão longe de serem apagadas. Mesmo que a Alemanha seja apresentada com certo dinamismo econômico a taxa de desemprego é de quase 7%. O emérito Professor Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia e ex-economista-chefe do Banco Mundial, disse que gostaria que a chanceler Angela Merkel pudesse entender que a austeridade enfraquece a economia. Ela aumenta o desemprego, reduz salários e aprofunda as desigualdades. Stiglitz cita que “não há nenhum exemplo de uma grande economia em que a austeridade permitiu a retomada do crescimento”.

Outro economista, o francês Guillaume Duval, da revista Alternativa Econômica, chama atenção sobre a o aumento da precariedade do trabalho na Alemanha especialmente com relação ao emprego dos jovens, e ele diz que as necessidades da indústria alemã são perenes e ela aproveita da crise econômica nos países do sul da Europa para empregar mão-de-obra barata dos jovens migrantes. Os funcionários do Sul demitidos e os jovens sem trabalho são bem-vindos na Alemanha de Ângela Merkel. Como um todo, a zona do euro tem visto o PIB se estagnar no segundo trimestre, depois de ter subido apenas 0,2% no trimestre anterior, de acordo com o Eurostat estatísticas escritório da UE.

Diante do cenário externo da situação global da economia, o desenvolvimento brasileiro não é dos piores. Por esta razão, é difícil entender o comportamento dos analistas econômicos brasileiros, em geral, ligados aos grupos econômicos e aos políticos da direita conservadora. Eles buscam traçar um quadro funesto para a economia do Brasil sem analisar a repercussão que teve a crise do capitalismo financeiro que abalou os países ditos desenvolvidos.

Por que as políticas aplicadas pela União Européia não deram resultados? Por que não comparar os dados em função da realidade enfrentada pelo governo brasileira?
Durante sete anos (2008-2014), esses analistas econômicos, articulistas neoliberais, buscam criar um clima de pânico para prejudicar o ambiente econômico no Brasil. Assim, há um certo tempo, eles decidiram criar uma estratégia de comunicação para alimentar uma campanha internacional visando deteriorar a imagem positiva do Brasil ao mesmo tempo em que tentam provocar no plano interno um pessimismo geral na nação.

A pergunta é: quem sai perdendo, senão o próprio Brasil? Fica claro que eles querem mesmo é deprimir a economia para afastar os investidores e, com isto, embaraçar a política do governo e, no final, derrubá-lo. Agem de modo irresponsável para prejudicar o interesse nacional, tudo isto devido ao ódio que têm pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Não há duvidas que a alta classe média e rica da qual eles pertencem foram as que mais usufruíram do êxito das políticas econômicas dos governos de Lula e Dilma
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Eles sabem, têm consciência que o pessimismo e a desconfiança são os melhores promotores de um clima coletivo de impotência e desânimo. Quando o pessimismo se instala, os efeitos da crise econômica são reforçados e, indiretamente, influenciam nos fatores de crescimento. Esta tem sido a arma que eles vêm utilizando: disseminam o pessimismo para ganhar o poder executivo nas próximas eleições. Vale ressaltar que já detêm o monopólio do quarto poder no Brasil.

O presidente Lula entendeu perfeitamente que a população brasileira estava com uma visão pessimista do futuro, ele soube injetar otimismo e enfrentar a crise econômica. Lula falava muito de autoestima e conseguiu levantar a moral dos pessimistas e ganhar confiança para o enfrentamento da crise mundial. Luis Lula da Silva é um otimista por natureza, assim como a presidenta Dilma, logicamente, com uma diferença: é que a presidenta Dilma é menos expansiva.

De fato, o otimismo é uma qualidade que permite perceber o mundo de uma forma positiva. Este fator psicológico não deve ser negligenciado no contexto empresarial e econômico. O grande economista Keynes, quando defendia o papel do Estado na economia, falava dos mecanismos psicológicos necessários para evitar o medo do futuro e de tomada de riscos. Daí a importância da presença do Estado para garantir um clima de confiança na relação de investimentos público e privado.

Foi assim que os governos do diabólico PT, tão odiado pela elite brasileira e seus aliados, conseguiram evitar que a catástrofe causada pela crise financeira devastasse o Brasil. Desde 2008 o mundo global vive um clima de tensão econômica e social. Os governos Lula e Dilma conseguiram uma boa administração da crise econômica e agiram sem precipitação. Mudaram o funcionamento da diplomacia brasileira e conseguiram forjar uma estratégia internacional de participação e não de submissão às regras multilaterais da governança mundial.

Eles criaram uma correlação de forças favoráveis ao Brasil. Com muita tática e esforços, sanearam grande parte da divida pública e privada deixada por Fernando Henrique. Eles criaram credibilidade internacional, aumentaram as reservas monetárias, possibilitando uma governabilidade capaz de promover a inclusão social.

O pior já passou e, hoje, o Brasil pode reunir condições para garantir uma política interna mais condizente com os anseios de seu povo. A presidenta Dilma é a melhor preparada para dar continuidade a esse processo de construir um Brasil mais justo.
A arma dos brasileiros é de continuar o otimismo, confiar no futuro do Brasil, e não se deixar contagiar pelo vírus do pessimismo. Ao propagar o vírus do pessimismo, os adversários de um Brasil para todos estão visando apenas conquistar o poder em beneficio de uma corrente ideológica responsável pela atual crise mundial.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

As eleições e a mídia

A influência dos meios de comunicação vai além da produção de noticiário. Eles contratam as pesquisas e organizam os debates

por Marcos Coimbra

Na próxima terça 19, com o início da propaganda eleitoral na televisão e no rádio, entraremos na etapa final da mais longa eleição de nossa história. Começou em 2011 e nossa vida política gira em torno dela desde então.
A batalha da sucessão de Dilma Rousseff foi iniciada quando cessou o curto período de lua de mel com as oposições, no primeiro ano de governo. Talvez em razão do vexame protagonizado por José Serra na campanha, o antipetismo andava em baixa.
Durou pouco. Na entrada de 2012, o clima político deteriorou-se. As oposições perceberam que, se não fizessem nada, marchariam para nova derrota na eleição deste ano. Ao analisar as pesquisas de avaliação do governo e notar que Dilma batia recordes de popularidade a cada mês, notaram ser elevadas as possibilidades de o PT chegar aos 16 anos no poder. E particularmente odiosa. Serem derrotadas outra vez por Dilma doía mais do que perder para Lula.
Ela era “apenas” uma gestora petista, sem a aura mitológica do ex-presidente. Sua primeira eleição podia ser creditada, quase integralmente, à força do mito. Mas a segunda, se viesse, seria a vitória de uma candidatura “normal”. Quantas outras poderiam se seguir?
A perspectiva era inaceitável para os adversários do PT. Na sociedade, no sistema político e no empresariado, seus expoentes arregaçaram as mangas para evitá-la. A ponta de lança da reação foi a mídia hegemônica, em especial a Rede Globo.
Recordar é viver. Muitos se esqueceram, outros nem souberam, mas a realidade é que a “grande imprensa” formulou com clareza um projeto de intervenção na vida política nacional.
Não é teoria conspiratória. Quem disse que os “meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste País, já que a oposição está profundamente fragilizada”, foi a Associação Nacional de Jornais, por meio de sua presidenta, uma das principais executivas do Grupo Folha. Enunciada em 2010, a frase nunca foi tão verdadeira quanto de 2012 para cá.
Como resultado da atuação da vanguarda midiática oposicionista, estamos há três anos imersos na eleição de 2014. A derrota de Dilma é buscada de todas as formas. O “mensalão”? Joaquim Barbosa? A “festa cívica” do “povo nas ruas”? O “vexame” da Copa do Mundo? A “compra da refinaria”? O “fim do Plano Real”? A “volta da inflação”? O “apagão” na energia? A “crise na economia”? A “desindustrialização”? O “desemprego”?
Nada disso nunca teve verdadeira importância. Tudo foi e continua a ser parte do esforço para diminuir a chance de reeleição da presidenta.
Ou alguém acha que os analistas e comentaristas dessa mídia acreditam, de fato, na cantilena que apregoam quando se vestem de verde-amarelo e se dizem preocupados com a moral pública, os empregos dos trabalhadores ou a renda dos pobres? Ou que queiram fazer “bom jornalismo”?
Temos agora uma ferramenta para elucidar o papel da mídia na eleição. Por iniciativa do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, está no ar o manchetômetro (http://www.manchetometro.com.br), um site que acompanha a cobertura diária da eleição na “grande imprensa”: os jornais Folha de S.Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo, além do Jornal Nacional da Globo (como se percebe, os organizadores do projeto julgaram desnecessário analisar o “jornalismo” do Grupo Abril).
Lá, vê-se que os três principais candidatos a presidente foram objeto, nesses veículos, de 275 reportagens de capa desde o início de 2014. Aécio Neves, de 38, com 19 favoráveis e 19 desfavoráveis. Tamanha neutralidade equidistante cessa com Dilma: ela foi tratada em 210 textos de capa. Do total, 15 são favoráveis e 195 desfavoráveis. Em outras palavras: 93% de abordagens negativas.
É assim que a população brasileira tem sido servida de informações desde quando começou o ano eleitoral. É isso que faz a mídia para exercer o papel autoassumido de ser a “oposição de fato”.
O pior é que a influência dessas empresas ultrapassa o noticiário. Elas contratam as pesquisas eleitorais que desejam e as divulgam quando e como querem. E organizam os debates entre candidatos.
Está mais que na hora de discutir a interferência dessa mídia no processo eleitoral e, por extensão, na democracia brasileira.
Bem-vindo ao manchetômetro. Acompanhe a cobertura das eleições na...
manchetometro.com.br

A tragédia de Campos e ocasião de Marina

A morte trágica de Eduardo Campos deve ser lamentada sob todos os aspectos. Se a perda é irreparável do ponto de vista pessoal, ela o é também do ponto de vista político. Campos era o mais promissor dos líderes de uma jovem geração de políticos e vinha forjando sua liderança no contexto de uma singularidade pessoal que não encontra par e paralelo em nenhum dos outros políticos atuais. A formação de líderes autênticos, capazes e virtuosos não depende dos bancos escolares ou de embalagens bem feitas pelo marketing. Depende de um processo de educação (que pode ser empírico) e de uma atividade prática, ambos definidos como experiência vivida que deixa os vincos fundos da singularidade do forjamento da personalidade política do líder.

De pouco serviria Campos ter se formado em Economia sem essa experiência vivida, que começou cedo, ainda na universidade, quando se tornou presidente do Diretório Acadêmico. Começou aí a aquisição e do domínio prático da arte de comandar, sem a qual não existem líderes políticos autênticos e capazes. Não parou mais: aos 21 anos, em 1986, ajudou a planejar a campanha do avô – Miguel Arraes. No ano seguinte torna-se chefe de Gabinete do governo Arraes. Depois vai disputar eleições, torna-se deputado, secretário de estado, ministro do governo Lula e governador de Pernambuco por duas vezes.

Campos estava dando o seu passo político mais importante: projetar a liderança que havia construído em Pernambuco e no PSB para o plano da política nacional. Foram praticamente 30 anos de atividade intensa para forjar e lapidar sua personalidade política e para galgar a condição de candidato à presidência da República. Teve em Arraes, um ícone da esquerda do século XX, uma espécie de Centauro Quíron – o tutor, educador e formador dos heróis antigos, dentre eles o mítico Aquiles.

Teria Campos as virtudes necessárias para ser um líder do tipo inovador, fundador de uma nova ordem política nacional? Difícil dizer, pois na história republicana tivemos apenas um líder com esta capacidade, que foi Getulio Vargas. Recentemente, Fernando Henrique Cardoso e Lula, com todas as suas diferenças, deram início à solução de dois problemas dramáticos do século XX. FHC encaminhou a solução do problema da inflação, que provocou muitas crises políticas e fracassos econômicos no século passado. Lula começou a enfrentar o pior problema da nossa história: as profundas desigualdades e a exclusão social. Passos importantíssimos foram dados nas duas direções, mas ambos precisam ser completados nos próximos anos. O governo Dilma se insere nesse contexto.

O fato é que Campos vinha assumindo um discurso que anunciava a intenção de aperfeiçoar o trabalho de seus antecessores e fazer algo que eles não conseguiram: reformar a ordem política nacional, cheia de vícios e malefícios. Absorvendo aspectos importantes do ideário de Marina Silva, sintetizado na tese da “nova política”, prometeu limpar a política nacional da presença dos Sarneys, dos Renans Calheiros, dos Collor etc. Entre outras coisas, prometia um país mais estável e previsível no seu ordenamento político e jurídico e uma Reforma Tributária, absolutamente necessária, pois o sistema tributário é uma das maiores fontes de injustiças e iniqüidades no Brasil por penalizar os pobres e beneficiar os ricos.

Quando Campos começou a plantar sua candidatura, pensava mais numa projeção para colher os frutos em 2018. Se as circunstâncias o favorecessem em 2014, talvez fosse prematuro, pois o seu projeto não estava plenamente amadurecido. Como bom aluno do Centauro (e talvez aqui o tutor tenha sido Lula), percebeu que precisava construir uma força política própria – o PSB – agregar organização mesmo sem vitórias, mas com avanços cumulativos, para poder alcançar o cume do triunfo um dia. Sem romper inteiramente no plano político, libertou-se da tutela do PT e de Lula para construir seu próprio exército, pois os líderes que não constroem sua força própria e vencem beneficiados pelas forças dos outros tendem ao fracasso, como bem mostrou Maquiavel. 

Percebeu que a ocasião para iniciar essa tarefa era 2014, pois as circunstâncias ofereciam um espaço para construir uma alternativa que fosse capaz de provocar rachaduras na polarização entre PT e PSDB. A deusa Fortuna sorriu-lhe ao oferecer-lhe, mais fruto do acaso do que de um projeto planejado, a oportunidade de agregar força com Marina Silva. Mas como essa deusa é matreira, e às vezes terrível, como foi o caso, aplicou-lhe um golpe definitivo e voltou a sorrir para Marina Silva.

A Ocasião de Marina Silva
Ao não compreender claramente o que Maquiavel havia ensinado e que Lula compreendeu com maestria ao construir o PT como força própria – que somente os profetas armados podem triunfar e que os desarmados fracassam – Marina foi negligente ao construir seu exército, sua força política. Não conseguindo legalizar a Rede, viu-se na contingência de se aliar a um líder mais poderoso do que ela (Eduardo Campos), o que é desaconselhável para quem pretende reformar ou refundar uma ordem existente. Pelo que havia acumulado em 2010, o seu momento seria 2014, mas a falta de força própria a colocou num plano secundário na grande batalha política das eleições presidenciais.

A deusa quis devolver-lhe essa ocasião, esse momento, ao custo de uma tragédia. Mesmo assim, Marina comandará um exército que não lhe é inteiramente fiel. E isto lhe trará problemas, seja no momento da batalha seja no momento do triunfo, na eventualidade de vencer as eleições. Terá que fazer concessões de saída, dando aval a acordos que Campos fizera e que ela não concordava. Ao se aliar a Campos numa posição subalterna, naquele primeiro momento, já perdeu seguidores. Ao assumir a cabeça da chapa, as concessões serão ainda mais profundas e ter-se-á que ver até que ponto elas não descaracterizarão o projeto original da Rede.

Quanto ao panorama político geral, aumenta significativamente o grau de incerteza acerca das eleições e também acerca do cenário de 2015. Aécio Neves e Dilma estão imediatamente ameaçados por Marina, como mostra a primeira pesquisa Datafolha após a tragédia. Dilma aparece com 36% das intenções de voto, Marina com 21% e Aécio com 20%. Num segundo turno, Marina bateria Dilma com 47% contra 43%, A direita política do país, por sua vez, pretenderá fazer de Marina uma candidata de direita, o que é uma tarefa difícil. Se Marina passar para um segundo turno contra Dilma, como reagirão os mercados e aos agentes econômicos? Marina fará ainda mais concessões para ser aceita pelos mercados, sacrificando no altar dos interesses econômicos o ideal da nova política? Se Marina triungar, a lógica diz que haveria perturbações e instabilidade política. Mas em política não há certezas absolutas e Marina, se eleita, não necessariamente fracassaria.


Aldo Fornazieri – Cientista Político e Professor da Escola de Sociologia e Política.

domingo, 17 de agosto de 2014

Asteroide se chocará com a Terra? Mesmo? 

Milhares de sites estariam divulgando que um asteroide irá se chocar com a Terra, com a alegação de que os astrônomos não saberiam o que fazer para nos proteger (oh céus)….

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Os cientistas identificaram um asteroide que pode estar vindo para uma colisão com a Terra daqui a 878 anos. Usando radar e medições ópticas feitas ao longo dos últimos 51 anos, pesquisadores descobriram que a probabilidade de um impacto em 2880 é de cerca de 2,48 x 10 -4 , que remete mais ou menos em cerca de 1 em 4000, ou seja, possível, mas bem improvável.

Clique para conferir a rota do asteroide 1959DA
Clique para conferir a rota do asteroide 1959DA

As consequências da colisão de um asteroide medindo mil metros de diâmetro são especulativas. Poderia um golpe direto destruir uma cidade inteira? Será que um impacto no oceano criaria um enorme tsunami capaz de inundar a costa adjacente?

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Aprender sobre os asteroides é fascinante e cientificamente importante, claro, mas há considerações práticas, assim, se um asteroide  um dia fosse encontrado e com ele a alta possibilidade de atingir a Terra, nós iríamos ter que fazer alguma coisa para impedir . Uma ideia seria atingir o asteroide perigoso com uma sonda espacial a força talvez seria suficiente para alterar a órbita do corpo. As características físicas da rocha será um grande fator para isso; se for de metal, rochas, ou uma pilha de escombros, ele irá reagir de forma diferente ao impacto.

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Voltando ao que interessa, diversas fontes estão citando informações mentirosas; essa é a razão pela qual exibo nesse artigo as informações e esclarecimentos reais embasados na própria NASA e fontes confiáveis (nota: Eles usam uma velha probabilidade de 1 em 300 para um impacto, também). Antes de sair compartilhando, pesquise sobre o assunto profundamente (FALO ISSO PARA AS NOSSAS POSTAGENS TAMBÉM) fico feliz quando alguém me corrige ou envia sugestão.
Comente abaixo sobre o assunto

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terça-feira, 29 de julho de 2014

Gaza

Quando Golias é judeu

A invasão ofende os Direitos Humanos diante da indiferença cúmplice das potências ocidentais
por Gianni Carta publicado 28/07/2014, na Carta CapitalShare1

Marco Longari/AFP
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Na luta desigual, de um lado morrem os civis, e muitas crianças, do outro sobretudo os soldados

Cidade de Gaza, quinta-feira 24. Ruas cobertas de cadáveres. Casas sem fachada, esburacadas ou destruídas. Mães, pais, crianças e idosos aos prantos e gritos. Alguns seguram nos braços crianças mortas, por vezes decapitadas. Tanques de guerra. O incessante barulho ensurdecedor das metralhadoras dos soldados do Tsahal, ou IDF, o exército israelense, ou de bombas lançadas de caças F-18. Ou pelos navios de guerra no Mediterrâneo. A toda essa tragédia se mescla o assobio de mísseis, vindo de todas as partes, inclusive dos teleguiados, a marcar presença no céu. “Eles atiram nas pessoas, nas vacas, em qualquer coisa que se mova”, grita uma septuagenária. Nos seus olhos, como nos de seus conterrâneos, estampam-se o medo, o desespero, o horror. Motivos não escasseiam.

Na quinta-feira 24, quando este artigo seria impresso, o número de baixas era de 700 palestinos, dos quais 150 crianças, e mais milhares de feridos. Segundo as autoridades israelenses, 32 soldados tinham perdido a vida, e mais três civis israelenses. Em Gaza falta água potável. As pessoas comem quando há comida, praticamente dia sim, dia não. Hospitais não têm condições de tratar todos os feridos. Ambulâncias, inclusive aquelas dos Médicins Sans Frontières, não circulam na probabilidade de ser atingidas. Ambas as fronteiras para escapar para o mundo, Erez, em Israel, e Rafah, no Egito, permanecem fechadas para os palestinos, mesmo para aqueles mais ameaçados. Apagões são frequentes, de resto como sempre. Porém, agora, mais amiúde.

Indago a Hussam, meu fixer em várias viagens a Gaza, aquele que traduz em perfeito inglês e me guia para evitar confrontos nessa minúscula Gaza em guerra, se posso falar com minhas ex-fontes do Hamas. Claro, as autoridades dos EUA e da União Europeia não tratam com “terroristas”, mas por que lidaram com o Exército Republicano Irlandês, entre outros? Gostaria de entrevistar novamente, como em 2013, digo a Hussam, Mahmoud al-Zahar, ex-ministro do Exterior e um dos fundadores do Hamas. Diga-se que Al-Zahar, de 69 anos, é o líder do Hamas, mas por questões de segurança contra ataques israelenses, ele faria parte apenas do conselho do Hamas. No entanto, esse médico, que já sofreu atentados e perdeu um filho quando um caça F-15 lançou uma bomba contra sua casa, está escondido em algum bunker, diz Hussam. O outro filho foi morto há anos em um confronto armado. Poucos meses atrás, aqui mesmo, indaguei a Al-Zahar se a única solução contra Israel é a luta armada. “Começamos a negociar em 1991, em Madri, mas nunca houve um processo de paz, e sim um apoio à ocupação israelense”, dizia então Al-Zahar. Fez uma pausa, e acrescentou: “A única solução é a luta armada”.

Com seu 1,8 milhão de habitantes espalhados por apenas 40 quilômetros de extensão e 10 de largura, a Faixa de Gaza, separada do mundo por um bloqueio imposto por Israel depois da vitória em escrutínio democrático da legenda islamita Hamas, em 2006, vive-se a enésima Nakba (catástrofe). Esse enredo de violência começa com a expulsão dos árabes palestinos quando Israel venceu sua luta de independência em 1948. Após a Guerra de Seis Dias, em 1967, mais alguns milhões de árabes palestinos foram expulsos pelo Oriente Médio.

A chamada Operação Margem Protetora, a atual, foi acionada pelo premier israelense Benjamin Netanyahu em 8 de julho com os ataques ditos “cirúrgicos” de caças F-18. Parecem tão cirúrgicos, que até o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, os questionou durante uma emissão da tevê estadunidense Fox News. Ao acreditar que os microfones estivessem desligados, comentou ironicamente: “Como são cirúrgicos os ataques dos israelenses”. Trata-se, porém, de um diplomata e logo corrigiu o “erro”.

Os motivos de Bibi, como é popularmente chamado Netanyahu, foram dois, ambos apoiados pela chamada “comunidade internacional”, isto é, por, entre outros, Barack Obama, Angela Merkel, François Hollande e Matteo Renzi. Primeiro, o sequestro e mortes de três adolescentes na Cisjordânia, a outra parte da Palestina sem contingência com Gaza, manobra das autoridades israelenses para dividir e conquistar o vizinho árabe. Segundo motivo: os inúmeros foguetes Qassam lançados pelo Hamas contra o território israelense. Mas a questão é mais complexa do que pensam, ou fingem pensar, os aliados de Netanyahu. Tudo indicaria que os adolescentes não foram assassinados com a autorização do Hamas. E os foguetes seriam lançados de Gaza por grupos radicais envolvidos na disputa do poder no território.

Magid Shihade, professor de Relações Internacionais da Universidade de Birzeit, na Cisjordânia, me diz: “Comunidade internacional, você concorda comigo, é um jargão inconcebível. Eles (Obama, Merkel, Hollande etc.) não alcunharão o que Netanyahu está a provocar em Gaza porque não pega bem para a dita comunidade internacional. Shihade emenda: “O sionismo é uma ideologia racista e colonial. Baseia-se na desapropriação, na deslocação e na separação das pessoas, na supremacia dos judeus sobre os árabes palestinos nativos”.

Em 17 de julho, uma incursão terrestre das Forças de Defesa Israelense elevou a dimensão da carnificina. O motivo da intervenção terrestre foram os incessantes foguetes oriundos de Gaza. Embora de forma proporcionalmente muito inferior àquela dos palestinos, o Tsahal sofreu com a incursão, em meados de julho, várias baixas, especialmente, parece, a do sargento Shaul Aaron. O Hamas diz que o capturou, mas Tel-Aviv sustenta que ele poder ter sido morto. Se, porém, foi capturado, algo que não estava ainda claro na quinta-feira da semana passada, o conflito poderia se ampliar. E da mesma forma como o bloqueio de Gaza teve início com a captura do soldado Gilad Shalit, a situação poderia piorar rapidamente. A prisão de um israelense pelos palestinos é algo passível de elevar brutalmente a tensão.

Para quem está em Gaza, a postura da diplomacia ocidental é de um cinismo abissal. Mesmo porque existe um evidente conluio entre o lobby judeu e a diplomacia internacional. Durante nove meses, o secretário de Estado Kerry cuidou de mostrar empenho a favor da paz, enquanto Israel continuava impunemente a colonizar a Cisjordânia. Kerry dizia ser possível para Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, ir adiante no plano de criação de um Estado palestino apesar dos assentamentos. Palavras ao vento em que tremulam as gravatas amarelas e laranja do secretário de Estado. Não é por acaso que ele não goza de credibilidade alguma nas terras em conflito, mesmo porque suas propostas carecem de qualquer substância. Gianni Vattimo, o filósofo italiano, disse que gostaria de “comprar mais foguetes para o Hamas”. Vattimo, que já entrevistei, disse: “Os europeus deveriam formar uma brigada internacional para lutar com o Hamas, assim como voluntários lutaram contra Franco durante a Guerra Civil Espanhola”.

O que faremos por esse povo?  Hussam, meu fixer, tem 45 anos. Nunca deixou Gaza. Aprendeu inglês, perfeito, na universidade. Vive em Camp Beach, na cidade. Tem mulher e seis filhos, durmo com estes em uma grande sala, todos vestidos. Hussam e a mulher recolhem-se em um quarto separado. Ele anuncia quando podemos tomar banho. À noite, coloca mesas de plástico no chão, visto que não há mobília, e deposita pratos de comida. No ano passado, havia certa fartura. Agora, é apenas pão sírio amanhecido e tabule.
Às 4 horas, a mesquita ao lado lança o apelo, “Alá, o maior”, e todos se levantam, colocam uma esteira no chão e rezam. Uma luz ilumina o nosso quarto. Sinto-me seguro, devo confessar. Depois durmo. E muito bem.  O Tsahal, contudo, atingiu um minarete da mesquita. Hussam lamenta. Indago: “Você faria parte do Hamas?” Responde: “Não, existem limites”.

Os Acordos de Oslo de 1993 estabeleceram que a Autoridade Palestina governaria Gaza e a Cisjordânia.  Não foi o que se deu. Em 2012, a Assembleia-Geral da ONU elevou a Palestina ao status de “Estado não integrante”. Vitorioso em 2006 em Gaza, o Hamas expulsou o Fatah em 2007. Sete anos mais tarde, Fatah e Hamas fizeram as pazes e se reuniram em abril de 2014. E eis o problema. Netanyahu não aceita a união. Dividir é o que se pretende. Divide et impera, diziam os imperadores romanos.

domingo, 27 de julho de 2014

Os sete tipos de reacionários (e como debater com eles)

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Se você já perdeu tempo tentando discutir política com reacionários, deve ter percebido que existem tipos diferentes desses indivíduos, cada um com um estilo particular de “argumentação”. Nesse artigo bem humorado tentaremos desvendar os sete tipos de reacionário, o que há de errado com eles e como devemos agir.
“Quem são os reaças? Onde vivem? De que se alimentam?” (Sérgio Chapelin, sobre reacionários)
Começaremos pelos mais inteligentes e depois seguiremos em direção aos de comunicação mais difícil.

Reacionários Educados

Esses são os mais raros. Eventualmente você esbarra em um em público ou num fórum on-line. Podem ser os mais difíceis de lidar. Eles aprenderam tudo o que há pra se aprender sobre suas posições (de uma perspectiva reacionária). Educaram-se sobre todas as razões que justificam seus posicionamentos como corretos, mas não estão interessados em nada que contradiga suas crenças.

O problema: Qualquer um com internet e cinco minutos livres consegue encontrar algo que descredite completamente sua versão dos “fatos”. Mesmo quando rebatidos, continuam a voltar aos argumentos iniciais, tentam mudar o assunto para algo onde se sintam mais confortáveis ou começam a expressar opiniões sem mérito factual.

Debatendo: Mantenha-os no assunto. Não deixe que ignorem seus contrapontos e mudem o assunto para você. São mestres nisso, mas se você conseguir mantê-los no assunto, começarão a expressar opiniões para as quais você poderá dizer “você tem fatos ou estatísticas que sustentem essa opinião?”.

Reacionários “Globais”

Estes estão entre os mais raivosos. Assistem aos jornais da Globo ou outras mídias de massa burguesas, leem a Veja e acreditam que isso os faz especialistas em política (do mesmo modo que acreditam que assistir ao jogo os faz técnicos e assistir à missa os faz santos). O único conhecimento político que apresentam é uma papagaiada sem base. Quando você os contrapõe, te chamam de “esquerdopata”, “comuna”, “socialista”, etc. Eles acham que todo revolucionário é um socialista que quer tirar seu dinheiro e entregar para pessoas que não merecem.

O problema: Eles não têm ideia do que estão falando. Geralmente estão repetindo coisas ditas pelo Arnaldo Jabor ou, com mais azar, pelo Olavo de Carvalho. Eles acreditam que movimentos anticapitalistas querem roubar sua liberdade (toda a liberdade que o dinheiro possa comprar), mas não compreendem o conceito de capitalismo, nem reconhecem como esses movimentos foram cruciais para que ele tivesse os direitos que têm hoje. Eles acham que o PT é comunista, e se você discorda dizem que você é um leitor da Carta Capital. Dizem que você é uma ovelha, mas esperam que você aceite cegamente tudo o que dizem, sem questionar.

Debatendo: Mantenha-se pedindo fatos e comprovações para as afirmações que fazem até que se desesperem e te chamem dos nomes já citados. Peça-os para enumerar quais os direitos que os movimentos anti-capitalistas já o roubaram (talvez eles digam que perderam o “direito de proibir a união homossexual” ou coisa do tipo, mantenha-se cobrando fatos). Eles tendem a ser violentos, então se estiver cara-a-cara, fique de olho em suas mãos.

Reacionários Cristãos

Estes reacionários são hipócritas. Eles fazem tudo em nome de Jesus, enquanto simultaneamente agem da maneira mais anticristã humanamente possível. Defendem armamento da população, são pró-militares, contrários à igualdade de direitos entre os sexos e à emancipação feminina e, principalmente, ignoram todos os trechos da bíblia que demonstram que Jesus era um personagem revolucionário (e libertário). As partes que mais esquecem são as de “amar o próximo como a si”, “não julgar” e a em que joga filhos contra pais e pais contra filhos. Porque o patriarcado não pode ser agredido, não é mesmo? Eles também acreditam que países em guerra estão assim por falta de Deus no coração, mesmo que quase a totalidade desses países seja de religião abraâmica e siga essencialmente o mesmo deus (com mais rigor!)… E eles odeiam os gays, claro.

O Problema: Eles fazem coisas horríveis em nome do Senhor. Eles acham que aqueles que discordam estão condenados ao inferno, porque são pessoas más. Eles acreditam que somos uma nação cristã, mesmo com uma influência inegável de cultos indígenas e afro-brasileiros em nossa cultura. E eles dizem defender a liberdade religiosa, mas condenam tudo o que não é cristão como “demoníaco”. Ah, eles também negam a evolução…

Debatendo: Insista na mensagem de “amor” cristão. Jesus os orientou a amar incondicionalmente e não julgar. Pergunte como eles acreditam que Cristo agiria no mundo de hoje frente à desigualdade social, e o que ele pensaria do dízimo que se paga às igrejas caça-níqueis. De qualquer forma, eles responderão com citações aleatórias e mostrarão que esse debate em específico é uma perda de tempo.

Reacionários “Contra a Corrupção”

Aqui estão os coleguinhas que vão aos protestos de branco, com a cara pintada de verde e amarelo, cantando o Hino Nacional ou a clássica do Geraldo Vandré. Eles querem um movimento bonito, higiênico, pacífico e, principalmente, passivo. Querem ir às ruas pra protestar por seus direitos, mas não conhecem seus direitos e menos ainda seus deveres. Acham que a polícia tem que sentar a borracha nos “vândalos” do Black Bloc, que eles nem sabem o que é. Dizem que a culpa do tráfico é do usuário, gostam de filmes como Tropa de Elite (alguns até citam Capitão Nascimento). O mais importante: defendem o fim da corrupção. Que corrupção? Não sabem. Mas quando dá preguiça de “vem pra rua”, eles ficam de “luto”.

O Problema: Esses indivíduos defendem pautas vazias. Aliás, eles querem enfiar essas pautas em qualquer lugar onde estejam, dizendo que as pessoas precisam ter foco (nas pautas vazias). São a pior praga dentro da Anonymous. Reproduzem-se como coelhos. Vão tentar levar qualquer debate para o eixo PT/PSDB, vão criminalizar movimentos sociais populares, mas vão defender reforma tributária (ignorando a transferência do poder do estado para o setor privado) e a reforma política (mesmo sem especificar o que é isso, significando, na prática, nada).

Debatendo: Peça que ele defina os conceitos que apresenta. Pergunte a que corrupção se refere, que reforma pretende. A melhor arma contra estes é a história. Tudo aquilo que eles almejam, na prática, até hoje foi conquistado com as práticas que eles condenam. Quando ironizarem o assistencialismo, traga estudos acadêmicos sobre seus resultados e deixe claro que esse é um pilar do capitalismo, para que ele mesmo não desabe em crise. Quando ele disser que o usuário financia o tráfico, pergunte se ele concorda que quem usa gasolina não é igualmente culpado pela guerra por petróleo no Oriente Médio.

Reacionários Xenófobos

Nessa categoria, incluem-se os que pensam que São Paulo é a locomotiva do Brasil, que defendem que o Sul se separe para formar um país de melhor IDH, que chamam tudo o que vive nas regiões Norte e Nordeste de “baiano” e os culpam pela crise urbana no Sudeste e, claro, as patricinhas e os mauricinhos que vão a aeroportos vaiar médicos cubanos. Esse tipo é complicado, porque é do tipo que tem medo de perder o pouquinho que tem pra “esses pobres”.

O Problema: Eles vão defender a superioridade de suas categorias. São meritocratas quando lhes convém, acham que um diploma te faz uma pessoa mais íntegra, mas colam em provas e compram carteiras de motorista. Eles acreditam que o êxodo rural encheu a cidade de gente “vagabunda”, mas dependem do serviço desses “vagabundos” até pra fazer um almoço. Quando você os contrariar, vão tentar te associar ao crime organizado ou ao terrorismo. E também vão dizer que “se usa chinelo não é índio”.

Debatendo: Desse grau pra baixo vai ficar difícil debater, já avisamos. Felizmente, as estatísticas atuam contra esses reacionários, assim como a política internacional, mas essas são esferas que eles não compreendem. E como eles também nunca “sentiram na pele” os problemas sociais, você vai ter que usar metáforas. Só não faça ironias com “Playstation” e “iPhone”, porque isso os deixa fora de controle.

Reacionários Racistas e Sexistas

Esses vêm quase por último por uma razão. Sabemos que racismo e sexismo não são exclusividade de reacionários. Sofremos muito com isso mesmo dentro dos grupos que se afirmam revolucionários. Mas essa junção funesta gera um dos piores tipos: o fascistóide. Eles não odeiam a Dilma pelas contradições de seu governo, mas essencialmente porque ela é mulher. Eles acreditam que liberdade de expressão é poder praticar ódio e discriminação sem sofrer consequências. Eles acreditam numa diferença “natural” fantasiosa entre homens e mulheres, entre brancos e negros, e entre heterossexuais e homossexuais que está muito distante da realidade científica. E por conta disso eles são máquinas de agressão e opressão, ainda que alguns de modo inconsciente.

O Problema: Eles são preconceituosos e discriminadores, mas quando você apontar isso, alegarão perseguição. Eles vão dizer que o dia da consciência negra e as cotas nas universidades é que são racistas, porque desprezam a história e a cultura do país, se pautando num silogismo pobre. Eles não sabem diferenciar a violência do opressor e a resistência do oprimido. Acima de tudo, eles não conseguem compreender porque as pessoas os chamam de machistas, racistas ou homofóbicos quando eles abriram um discurso com “eu tenho vários amigos gays, mas…” ou “eu respeito muito minha mulher e minhas filhas, mas…”. Pra finalizar, eles não entendem que democracia é o governo do povo. Todo o povo, e não só a maioria do povo.

Debatendo: Não se debate com fascistóides. Se os expurga. Você teria mais trabalho tentando convencer algum desses xucros sem educação do que são direitos humanos do que se tentasse convencer uma macieira a dar laranjas.

Reacionários Mal Educados

Esses reacionários são reacionários porque eles acham descolado. Eles têm amigos economistas, ou assistiram a uma meia dúzia de vídeos do Olavinho ou do Dâniel Fraga, então eles pensam que sabem do que estão falando. Eles têm uma gramática horrível, ignoram pontuações e têm uma tendência a escrever tudo em caixa alta (caps lock) e com vários pontos de exclamação, ASSIM!!! ACORDA BRASIL!!! ESSE É O PAÍS QUE VAI SEDIAR A COPA!!!???!!!. Irritante, não? Eles também esperam que você acredite em tudo o que eles dizem, só porque estão dizendo. E também citam vídeos de opinião quando você pede fontes que comprovem o que eles dizem.

O Problema: É difícil categorizar problemas num debate de ogros que não sabem se comunicar. Eles mal compreendem qual é seu posicionamento político, só repetem o que ouviram de um amigo ou viram num vídeo. Eventualmente, publicarão essas correntes mentirosas, com casos de um “famoso professor” que nunca existiu, ou do “grande economista” que nunca disse aquilo. Eles são 100% cegos aos fatos e só dão atenção ao que reforça suas crenças irracionais.

Debatendo: Não há lógica ou fatos que os vá convencer de nada. Você pode ser doutor na área, eles vão inventar uma desculpa do tipo “seu professor de história mentiu pra você” ou “esquerda e direita é coisa do passado”. No lugar de discutir com eles, tente explicar álgebra ao seu animal de estimação. Há mais chances de sucesso.
Esperamos que esse informativo lhes seja útil, ou ao menos que tenha servido como um desabafo coletivo. Lembrem-se disso antes de entrar em debates incansáveis nas redes sociais, pois nem sempre vale a pena. E saiba que esses grupos de reacionários reproduzem entre si e evoluem, como pokémons, então você poderá encontrar híbridos ou formas muito extremas de qualquer um deles.

Este artigo da @AnonymousFUEL foi inspirado no artigo “The 7 Types Of Republicans and How To Debate With Them”, de Matthew Desmond, na AddictingInfo.

domingo, 20 de julho de 2014

Eu não sou preconceituoso, mas...

Eu não sou preconceituoso, mas eu paguei caro por isso aqui.

Eu não sou preconceituoso, mas mulher no volante é um perigo.

Eu não sou preconceituoso, mas tenho medo desses escurinhos mal encarados qe pedem dinheiro no semáforo.

Eu não sou preconceituoso, mas os gays podiam não se beijar em público. Assim, eles atraem a violência para eles.

Eu não sou preconceituoso, mas acho o ó ter um terreiro de macumba na nossa rua.

Eu não sou preconceituoso, mas é aquela coisa: não estudou, vira lixeiro.

Eu não sou preconceituoso, mas não gostaria de ver minha filha casada com um negro. Não por ele, é claro, mas os filhos deles sofreriam muito preconceito.

Eu não sou preconceituoso, mas esses sem-teto são todos vagabundos.

Eu não sou preconceituoso, mas uma pessoa que não é temente a Deus, não pode ter bom coração.

Eu não sou preconceituoso, mas esses mendigos deviam ir para a periferia onde não incomodariam ninguém.

Eu não sou preconceituoso, mas São Paulo é São Paulo, né amiga? Não é Fortaleza.

Eu não sou preconceituoso, mas se a mina tava vestida daquele jeito é porque era uma vagabunda e mereceu o que levou.

Eu não sou preconceituoso, mas esse shopping já foi melhor quando só aparecia gente selecionada.

Eu não sou preconceituoso, mas sobe o vidro, amor. Você não tá nos Jardins.