sábado, 25 de outubro de 2014

Se você pudesse fazer uma pergunta para Dilma e Aécio, qual seria?

Leonardo Sakamoto

Ao longo dos debates entre Dilma Rousseff e Aécio Neves na TV, torci para que os dois engatassem uma discussão de profundidade sobre uma série de problemas e desafios do país. Mas os marqueteiros não deixaram.

Debate profundo sobre a reforma política ou o combate à homofobia e ao racismo? Ninguém sabe, ninguém viu. Ao invés disso, um diálogo esquisito e insuficiente, em que um lado perguntava sobre frutas e o outro respondia a respeito da largura de legumes. Ou em que um perguntava sobre torresmo e o outro falava sobre a suavidade do amaciante de roupas. Noves fora a baixaria.

Pedi para jornalistas e professores que me enviassem a pergunta que gostariam de ver respondida pelos candidatos no debate desta sexta (24) à noite, o último da campanha presidencial. É claro que essas questões não esgotam os temas importantes, mas isto é um post, não um almanaque.
Muito provavelmente vocês não verão muitas dessas perguntas na TV. Mas não significa que não tenham que ser cobradas do vencedor ou da vencedora por jornalistas e pela sociedade. Porque quem ganhar, não vai governar só para a parcela que recebeu seus votos.
Às perguntas, portanto.
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Depois de protagonizarem uma campanha de poucas propostas e muitos ataques, que dividiu o país ao meio, vocês serão capazes de adotar uma agenda conciliadora e governar também para a metade do país que não os elegeu? Como?
Raquel Landim, repórter especial do jornal Folha de S.Paulo
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Desde 2006, a lei brasileira garante o acesso de pacientes a cannabis medicinal, mas essa lei nunca é regulamentada, por causa do profundo desinteresse da dos órgãos técnicos de Brasília e da classe política, inclusive do seu partido. O assunto não avança e, enquanto isso, famílias são devastadas por doenças que seriam facilmente tratáveis – por exemplo, o menino Gustavo Guedes, de 1 ano e 4 meses, morreu recentemente enquanto sua família lutava para se desvencilhar do cipoal burocrático da Anvisa. Você promete que, nos termos da lei, seu governo garantirá com urgência que pacientes médicos tenham acesso a remédios de que precisam, mesmo que a matéria-prima desses remédios seja maconha?
Denis Russo Burgierman, diretor da revista Superinteressante, autor de “O Fim da Guerra'' e produtor associado do documentário Ilegal, que está em cartaz nos cinemas
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Como você pode ajudar a construir uma polícia que respeite os direitos humanos?
Laura Capriglione, blogueira do Yahoo e uma das criadoras do site Ponte.
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Estimativas apontam que cerca de 800 mil abortos ilegais são realizados por ano no Brasil. A maioria em condições bastante precárias, como mostrou reportagem recente da TV Globo. Ainda que, por vezes, a polícia estoure clínicas clandestinas, isso não é suficiente para inibir a prática. Qual a solução?
Maíra Kubik Mano, jornalista, blogueira da revista Carta Capital e doutoranda em Ciências Sociais na Unicamp, onde pesquisa questões de gênero
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Junho de 2013 teve início com uma revolta nacional contra o aumento dos preços das passagens de transporte público. Embora, naquele contexto, a maior parte das médias e grandes cidades tenha reduzido o valor das passagens, muito pouco se avançou para resolver estruturalmente o problema do custo e da qualidade dos transportes. Você defende uma tarifa social ou uma tarifa zero para os transportes públicos? Em termos concretos, pretende, caso eleito(a), oferecer apoio federal para reduzir o custo dos transportes públicos, seja municipalizando a Cide (que incide sobre a gasolina e permitiria aos prefeitos subsidiarem os ônibus), seja criando um fundo federal para este fim?
Pablo Ortellado, professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da USP, coautor de “Vinte Centavos: A Luta Contra o Aumento''
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Você se compromete a adotar metas de redução de homicidios no Brasil?
Bruno Paes Manso, blogueiro do jornal Estado de S.Paulo, pós-doutorando no Núcleo de Estudos da Violência da USP e um dos criadores do site Ponte
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Como pretende lidar com a perda de relevância do Mercosul, um processo iniciado no governo Lula?
Diogo Schelp, editor-executivo da revista Veja
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Os ataques aos direitos indígenas nos últimos anos partiram, sobretudo, da bancada ruralista, que representa quase metade do Congresso. Sabemos que esse grupo estará na base governista no governo dos dois. Vocês pretendem apoiar ou frear essas iniciativas ruralistas anti-indígenas no Congresso?
Spensy Pimentel, jornalista e professor de Antropologia na Universidade Federal da Integração Latino-Americana
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A qualidade da educação é diretamente proporcional à qualidade de seus professores. Seu programa de governo é vago quanto à remuneração docente e plano de carreira. A negligência é preocupante pois salário dos professores é cerca de 60% de carreiras com formação semelhante. Como você pretende atrair – rapidamente – os melhores estudantes para a docência?
Rodrigo Ratier, gestor da plataforma Gente que Educa, da Fundação Victor Civita, e doutorando em Educação pela USP
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Que papel o governo federal poderia ter na reestruturação do futebol no país?
Murilo Garavello, gerente-geral do UOL Esporte e mestre em comunicação pela USP
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Considerando que a Constituição Federal proíbe o monopólio nos meios de comunicação de massa, proíbe que deputados e senadores sejam donos de empresas concessionárias de rádio e TV, determina que o país tenha um sistema público de comunicação (além do sistema comercial) e que a programação das emissoras respeite os direitos humanos, que medidas concretas você adotará para garantir que a Constituição Federal seja respeitada pelas empresas de comunicação e para que a população seja ouvida sobre a qualidade do serviço de rádio e TV que recebe?
Bia Barbosa, jornalista, mestre em Políticas Públicas pela FGV-SP, integra a coordenação do Intervozes e do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação
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O Brasil é líder mundial de cesarianas (52% dos partos). No contexto de políticas de saúde pública, o que é possível ser feito para atingir o índice recomendado pela Organização Mundial da Saúde (15%)? No fim de março, no Rio Grande do Sul, Adelir Lemos de Goes foi obrigada por liminar da Justiça a ter seu bebê por cesárea. Na sua opinião, o Estado detém o poder de definir o parto por uma mulher?
Juliana de Faria, jornalista, uma das fundadoras do Olga, think tank dedicado a debater a feminilidade, e responsável pela campanha Chega de Fiu Fiu, sobre o assédio sexual em locais públicos
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Por que vocês se orgulham tanto do apoio de artistas escritores, mas em nenhum dos debates anteriores sequer mencionaram temas ligados à cultura?
Haroldo Ceravolo, diretor de redação do Opera Mundi e presidente da Liga Brasileira de Editoras (Libre)
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O que esperar do seu governo em termos de políticas de imigração? Pode-se esperar mais legalizações, mais assistência? Como pretende combater o abuso e a discriminação contra imigrantes vindos de países africanos e de países mais pobres do hemisfério?
Pablo Uchoa, jornalista da BBC em Londres, ex-correspondente em Washington e mestre em Politica Latino-Americana no Institute for the Study of the Americas em Londres
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Em 2007, o Equador realizou uma auditoria sobre a legalidade ou legitimidade da dívida externa que anulou 70% dos pagamentos que seriam destinados aos credores internacionais (95% destes aceitaram a decisão). Neste ano, 2014, o Coletivo por uma Auditoria Cidadã da Dívida da França conclui um estudo que aponta que 59% da dívida francesa é ilegítima. Se o Brasil fizesse investigação semelhante, parte dos gastos com a dívida, que hoje ultrapassam 40% do orçamento e vão para os setores mais favorecidos da população, poderiam ser transferidos para saúde, educação, transportes, cultura, ciência e tecnologia, habitação, meio ambiente etc, etc. A auditoria da dívida está prevista na Constituição de 1988 e até hoje não foi realizada. Por que não realizar uma auditoria da dívida brasileira?
Luís Brasilino, editor do Le Monde Diplomatique Brasil

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Caso dos 9 chineses expulsos do Brasil em 64 é tema de audiência no Rio


A Comissão Nacional da Verdade e a Comissão da Verdade do Rio realizam, na próxima sexta-feira (26/9), às 10h, uma audiência pública sobre o caso de nove chineses que, em 1964, foram presos pela ditadura militar brasileira e torturados no Dops.

Eles eram funcionários do governo da República Popular da China e chegaram ao Brasil entre 1961 e 1964. O grupo veio a partir das negociações bilaterais iniciadas no governo do então presidente Jânio Quadros.

Em 22 de setembro de 1964, os chineses foram condenados a dez anos de prisão e expulsos do território brasileiro, acusados falsamente de estarem no país para conspirarem contra o regime recém-instalado. Até hoje estão impedidos de entrar no país.
"Há de chegar o dia em que todos, sem ódio nem paixão, proclamarão a nossa justa inocência", diz o comunicado, escrito por eles após a condenação. Na audiência serão exibidos, em vídeo, o depoimento de Ju Qingdong, 84 anos, um dos nove presos, e do embaixador Carlos Antonio Bettencourt Bueno, um dos responsáveis enviados pelo ditador Geisel à China, em 1974, para o restabelecimento de relações diplomáticas.

Além de apresentar um painel de depoimentos que possibilitará reconstruir as diferentes dimensões deste episódio, a audiência pretende, ao expor a verdade sobre o caso, contribuir para a reparação moral da reputação e da dignidade dos cidadãos chineses ofendidos na perspectiva de um pedido de perdão por parte do Estado Brasileiro.
O caso será incluído no relatório de ambas as comissões, que deverão recomendar ao Estado Brasileiro a revogação do decreto de expulsão dos nove chineses.
Estarão presentes os autores do livro "O caso dos nove chineses", Ciça Guedes e Murilo Fiuza de Melo, o advogado Danilo Santos, que acompanhava a missão comercial, João Vicente Goulart. Membro da Comissão da Verdade do Rio, a advogada Eny Moreira, fará uma apresentação sobre a defesa de Sobral Pinto à época. A presidente da CEV-Rio, Nadine Borges, e Rosa Cardoso, da CNV, também estarão presentes ao ato. 
SERVIÇO:
Audiência Pública sobre o caso dos nove chineses expulsos do Brasil em 64
Quando: Dia 26 de setembro de 2014 (sexta-feira)
Horário: 10h
Local: Auditório da CAARJ
Endereço: Av. Marechal Câmara, 210, 6º andar, Centro
Comissão Nacional da Verdade
Assessoria de Comunicação

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O vazio da existência

"As cenas de nossa vida são como imagens em um mosaico tosco; vistas de perto, não produzem efeitos — devem ser vistas à distância para ser possível discernir sua beleza. Assim, conquistar algo que desejamos significa descobrir quão vazio e inútil este algo é; estamos sempre vivendo na expectativa de coisas melhores, enquanto, ao mesmo tempo, comumente nos arrependemos e desejamos aquilo que pertence ao passado. Aceitamos o presente como algo que é apenas temporário e o consideramos como um meio para atingir nosso objetivo. Deste modo, se olharem para trás no fim de suas vidas, a maior parte das pessoas perceberá que viveram-nas ad interim [provisoriamente]: ficarão surpresas ao descobrir que aquilo que deixaram passar despercebido e sem proveito era precisamente sua vida — isto é, a vida na expectativa da qual passaram todo o seu tempo. Então se pode dizer que o homem, via de regra, é enganado pela esperança até dançar nos braços da morte!"

Esse vazio encontra sua expressão em toda forma de existência, na infinitude do Tempo e Espaço em oposição à finitude do indivíduo em ambos; no fugaz presente como a única forma de existência real; na dependência e relatividade de todas coisas; em constantemente se Tornar sem Ser; em continuamente d…
ATEUS.NET

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Falsear a verdade e propagar o pessimismo para derrotar o adversário



Por Marilza de Melo Foucher - de Paris

A situação econômica no Brasil logicamente não é das mais brilhantes neste ano eleitoral, todavia, analisar somente a utilização de um único dado econômico, por exemplo, a baixa da taxa de crescimento do PIB, não reflete a realidade global de um país. O PIB é um indicador econômico controverso, ele mede a renda, mas não a sua distribuição, o crescimento, mas não a sua destruição, e não leva em conta fatores como a coesão social e o meio ambiente.

Um país pode crescer economicamente e manter o nível de desigualdade na distribuição de riquezas e de acesso ao bem comum. O desenvolvimento de um país deve conciliar a inclusão social com a estabilidade econômica e a proteção ambiental. Devemos ver a economia como uma visão macroeconômica para o desenvolvimento inclusivo. Uma economia deve estar em harmonia com a sociedade e o mundo em que vivemos.

Uma política econômica deve impulsionar o crescimento de forma sustentável, mais ecológica, capaz de criar postos de trabalho, de reduzir a pobreza e repartir melhor suas riquezas. Nesse sentido, o Brasil prosperou com relação a muitos países pois, apesar de um contexto mundial difícil, o Brasil continuou criando empregos e tendo uma melhor inclusão social. Em todo o período Lula-Dilma, até maio de 2014, o Brasil gerou 20,4 milhões de novos empregos. Um dado ilustrativo é que de 2003 até hoje, a renda do trabalhador cresceu 70% acima da inflação.

O Bolsa Família tão criticado por articulistas econômicos e pela oposição, é um programa citado como exemplo de política pública que tem combatido a pobreza com efetividade. “Constitui um piso de proteção social”, como afirmou Jorge Chedieki, chefe do escritório do Programa das Nações Unidas para Nações em Desenvolvimento (PNUD), em Brasília. O Relatório de Desenvolvimento Humano de 2014 do PNUD, que traz os dados do IDH de 2013, o Brasil figura de novo no grupo dos países com desenvolvimento humano ‘alto’, a segunda entre quatro categorias definidas no Programa.

Logicamente, ainda faltam serviços públicos de melhor qualidade e as desigualdades regionais e sociais ainda persistem. Só não se pode negar é que esforços não tenham sido feito nesse sentido. Para isto basta analisar a evolução dos programas sociais implantados nessa ultima década. O aumento do orçamento destinado a educação em 2002 era 18 bilhões de R$ e hoje o orçamento chega a 112 bilhões R$.

Se levarmos em conta também a crise financeira sem precedente desde 2008, o Brasil tem resistido melhor, por exemplo, que muitos países europeus, que optaram pela receita da austeridade. Os governos de Lula e Dilma optaram por outro caminho. Enquanto a crise econômica internacional fez a política social em diversos países regredir, como se constata na União Européia, o Brasil preservou sua capacidade de investimento, e manteve a salvo os empregos de milhões de brasileiros. O governo brasileiro conseguiu assegurar as melhorias para as camadas mais pobres da população e, ao mesmo tempo, preservou a estabilidade macroeconômica. O aumento no nível de investimento, do gasto público e a ampliação do crédito em plena crise foram determinantes no enfrentamento da crise mundial.

A política adotada na Europa pelos governos atualmente mais conservadores foi de tomar medidas drásticas para diminuir as despesas públicas reduzindo os custos sociais, desregulando o mundo do trabalho, limitando os direitos dos trabalhadores. Além de medidas fiscais regressivas, que só beneficiam o grande capital. Essas medidas levaram as nações européias a bater recorde de números do desemprego jovem.
Hoje, a Europa tem uma juventude candidata a uma pobreza de longo prazo. O poder aquisitivo dos europeus não para de diminuir. No mais, a política de austeridade não teve o resultado almejado e provocou um débil crescimento econômico. Atualmente, esta política coloca em perigo o modelo social europeu que muitos países do mundo invejavam. Anteriormente os governos europeus conseguiam conciliar o desenvolvimento econômico com a questão social. Agora, na União Europeia, morosidade e pessimismo são a regra.

Muitos países estão em recessão, como a Holanda, Portugal, Estônia, Portugal, Chipre, Finlândia, Grécia. A França, provavelmente, com crescimento negativo, entrará também no rol dos países em recessão. A taxa de desemprego na zona euro é de 12% em 2014 e aponta para 11,7% em 2015. A zona do euro atravessa uma fase de baixo crescimento da produtividade, o impacto do desemprego de longa duração e um futuro não assegurado para os jovens. Hoje, o mercado de trabalho é inadequado para absorver a massa de desempregados.

As cicatrizes sociais da crise estão longe de serem apagadas. Mesmo que a Alemanha seja apresentada com certo dinamismo econômico a taxa de desemprego é de quase 7%. O emérito Professor Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia e ex-economista-chefe do Banco Mundial, disse que gostaria que a chanceler Angela Merkel pudesse entender que a austeridade enfraquece a economia. Ela aumenta o desemprego, reduz salários e aprofunda as desigualdades. Stiglitz cita que “não há nenhum exemplo de uma grande economia em que a austeridade permitiu a retomada do crescimento”.

Outro economista, o francês Guillaume Duval, da revista Alternativa Econômica, chama atenção sobre a o aumento da precariedade do trabalho na Alemanha especialmente com relação ao emprego dos jovens, e ele diz que as necessidades da indústria alemã são perenes e ela aproveita da crise econômica nos países do sul da Europa para empregar mão-de-obra barata dos jovens migrantes. Os funcionários do Sul demitidos e os jovens sem trabalho são bem-vindos na Alemanha de Ângela Merkel. Como um todo, a zona do euro tem visto o PIB se estagnar no segundo trimestre, depois de ter subido apenas 0,2% no trimestre anterior, de acordo com o Eurostat estatísticas escritório da UE.

Diante do cenário externo da situação global da economia, o desenvolvimento brasileiro não é dos piores. Por esta razão, é difícil entender o comportamento dos analistas econômicos brasileiros, em geral, ligados aos grupos econômicos e aos políticos da direita conservadora. Eles buscam traçar um quadro funesto para a economia do Brasil sem analisar a repercussão que teve a crise do capitalismo financeiro que abalou os países ditos desenvolvidos.

Por que as políticas aplicadas pela União Européia não deram resultados? Por que não comparar os dados em função da realidade enfrentada pelo governo brasileira?
Durante sete anos (2008-2014), esses analistas econômicos, articulistas neoliberais, buscam criar um clima de pânico para prejudicar o ambiente econômico no Brasil. Assim, há um certo tempo, eles decidiram criar uma estratégia de comunicação para alimentar uma campanha internacional visando deteriorar a imagem positiva do Brasil ao mesmo tempo em que tentam provocar no plano interno um pessimismo geral na nação.

A pergunta é: quem sai perdendo, senão o próprio Brasil? Fica claro que eles querem mesmo é deprimir a economia para afastar os investidores e, com isto, embaraçar a política do governo e, no final, derrubá-lo. Agem de modo irresponsável para prejudicar o interesse nacional, tudo isto devido ao ódio que têm pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Não há duvidas que a alta classe média e rica da qual eles pertencem foram as que mais usufruíram do êxito das políticas econômicas dos governos de Lula e Dilma
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Eles sabem, têm consciência que o pessimismo e a desconfiança são os melhores promotores de um clima coletivo de impotência e desânimo. Quando o pessimismo se instala, os efeitos da crise econômica são reforçados e, indiretamente, influenciam nos fatores de crescimento. Esta tem sido a arma que eles vêm utilizando: disseminam o pessimismo para ganhar o poder executivo nas próximas eleições. Vale ressaltar que já detêm o monopólio do quarto poder no Brasil.

O presidente Lula entendeu perfeitamente que a população brasileira estava com uma visão pessimista do futuro, ele soube injetar otimismo e enfrentar a crise econômica. Lula falava muito de autoestima e conseguiu levantar a moral dos pessimistas e ganhar confiança para o enfrentamento da crise mundial. Luis Lula da Silva é um otimista por natureza, assim como a presidenta Dilma, logicamente, com uma diferença: é que a presidenta Dilma é menos expansiva.

De fato, o otimismo é uma qualidade que permite perceber o mundo de uma forma positiva. Este fator psicológico não deve ser negligenciado no contexto empresarial e econômico. O grande economista Keynes, quando defendia o papel do Estado na economia, falava dos mecanismos psicológicos necessários para evitar o medo do futuro e de tomada de riscos. Daí a importância da presença do Estado para garantir um clima de confiança na relação de investimentos público e privado.

Foi assim que os governos do diabólico PT, tão odiado pela elite brasileira e seus aliados, conseguiram evitar que a catástrofe causada pela crise financeira devastasse o Brasil. Desde 2008 o mundo global vive um clima de tensão econômica e social. Os governos Lula e Dilma conseguiram uma boa administração da crise econômica e agiram sem precipitação. Mudaram o funcionamento da diplomacia brasileira e conseguiram forjar uma estratégia internacional de participação e não de submissão às regras multilaterais da governança mundial.

Eles criaram uma correlação de forças favoráveis ao Brasil. Com muita tática e esforços, sanearam grande parte da divida pública e privada deixada por Fernando Henrique. Eles criaram credibilidade internacional, aumentaram as reservas monetárias, possibilitando uma governabilidade capaz de promover a inclusão social.

O pior já passou e, hoje, o Brasil pode reunir condições para garantir uma política interna mais condizente com os anseios de seu povo. A presidenta Dilma é a melhor preparada para dar continuidade a esse processo de construir um Brasil mais justo.
A arma dos brasileiros é de continuar o otimismo, confiar no futuro do Brasil, e não se deixar contagiar pelo vírus do pessimismo. Ao propagar o vírus do pessimismo, os adversários de um Brasil para todos estão visando apenas conquistar o poder em beneficio de uma corrente ideológica responsável pela atual crise mundial.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

As eleições e a mídia

A influência dos meios de comunicação vai além da produção de noticiário. Eles contratam as pesquisas e organizam os debates

por Marcos Coimbra

Na próxima terça 19, com o início da propaganda eleitoral na televisão e no rádio, entraremos na etapa final da mais longa eleição de nossa história. Começou em 2011 e nossa vida política gira em torno dela desde então.
A batalha da sucessão de Dilma Rousseff foi iniciada quando cessou o curto período de lua de mel com as oposições, no primeiro ano de governo. Talvez em razão do vexame protagonizado por José Serra na campanha, o antipetismo andava em baixa.
Durou pouco. Na entrada de 2012, o clima político deteriorou-se. As oposições perceberam que, se não fizessem nada, marchariam para nova derrota na eleição deste ano. Ao analisar as pesquisas de avaliação do governo e notar que Dilma batia recordes de popularidade a cada mês, notaram ser elevadas as possibilidades de o PT chegar aos 16 anos no poder. E particularmente odiosa. Serem derrotadas outra vez por Dilma doía mais do que perder para Lula.
Ela era “apenas” uma gestora petista, sem a aura mitológica do ex-presidente. Sua primeira eleição podia ser creditada, quase integralmente, à força do mito. Mas a segunda, se viesse, seria a vitória de uma candidatura “normal”. Quantas outras poderiam se seguir?
A perspectiva era inaceitável para os adversários do PT. Na sociedade, no sistema político e no empresariado, seus expoentes arregaçaram as mangas para evitá-la. A ponta de lança da reação foi a mídia hegemônica, em especial a Rede Globo.
Recordar é viver. Muitos se esqueceram, outros nem souberam, mas a realidade é que a “grande imprensa” formulou com clareza um projeto de intervenção na vida política nacional.
Não é teoria conspiratória. Quem disse que os “meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste País, já que a oposição está profundamente fragilizada”, foi a Associação Nacional de Jornais, por meio de sua presidenta, uma das principais executivas do Grupo Folha. Enunciada em 2010, a frase nunca foi tão verdadeira quanto de 2012 para cá.
Como resultado da atuação da vanguarda midiática oposicionista, estamos há três anos imersos na eleição de 2014. A derrota de Dilma é buscada de todas as formas. O “mensalão”? Joaquim Barbosa? A “festa cívica” do “povo nas ruas”? O “vexame” da Copa do Mundo? A “compra da refinaria”? O “fim do Plano Real”? A “volta da inflação”? O “apagão” na energia? A “crise na economia”? A “desindustrialização”? O “desemprego”?
Nada disso nunca teve verdadeira importância. Tudo foi e continua a ser parte do esforço para diminuir a chance de reeleição da presidenta.
Ou alguém acha que os analistas e comentaristas dessa mídia acreditam, de fato, na cantilena que apregoam quando se vestem de verde-amarelo e se dizem preocupados com a moral pública, os empregos dos trabalhadores ou a renda dos pobres? Ou que queiram fazer “bom jornalismo”?
Temos agora uma ferramenta para elucidar o papel da mídia na eleição. Por iniciativa do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, está no ar o manchetômetro (http://www.manchetometro.com.br), um site que acompanha a cobertura diária da eleição na “grande imprensa”: os jornais Folha de S.Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo, além do Jornal Nacional da Globo (como se percebe, os organizadores do projeto julgaram desnecessário analisar o “jornalismo” do Grupo Abril).
Lá, vê-se que os três principais candidatos a presidente foram objeto, nesses veículos, de 275 reportagens de capa desde o início de 2014. Aécio Neves, de 38, com 19 favoráveis e 19 desfavoráveis. Tamanha neutralidade equidistante cessa com Dilma: ela foi tratada em 210 textos de capa. Do total, 15 são favoráveis e 195 desfavoráveis. Em outras palavras: 93% de abordagens negativas.
É assim que a população brasileira tem sido servida de informações desde quando começou o ano eleitoral. É isso que faz a mídia para exercer o papel autoassumido de ser a “oposição de fato”.
O pior é que a influência dessas empresas ultrapassa o noticiário. Elas contratam as pesquisas eleitorais que desejam e as divulgam quando e como querem. E organizam os debates entre candidatos.
Está mais que na hora de discutir a interferência dessa mídia no processo eleitoral e, por extensão, na democracia brasileira.
Bem-vindo ao manchetômetro. Acompanhe a cobertura das eleições na...
manchetometro.com.br

A tragédia de Campos e ocasião de Marina

A morte trágica de Eduardo Campos deve ser lamentada sob todos os aspectos. Se a perda é irreparável do ponto de vista pessoal, ela o é também do ponto de vista político. Campos era o mais promissor dos líderes de uma jovem geração de políticos e vinha forjando sua liderança no contexto de uma singularidade pessoal que não encontra par e paralelo em nenhum dos outros políticos atuais. A formação de líderes autênticos, capazes e virtuosos não depende dos bancos escolares ou de embalagens bem feitas pelo marketing. Depende de um processo de educação (que pode ser empírico) e de uma atividade prática, ambos definidos como experiência vivida que deixa os vincos fundos da singularidade do forjamento da personalidade política do líder.

De pouco serviria Campos ter se formado em Economia sem essa experiência vivida, que começou cedo, ainda na universidade, quando se tornou presidente do Diretório Acadêmico. Começou aí a aquisição e do domínio prático da arte de comandar, sem a qual não existem líderes políticos autênticos e capazes. Não parou mais: aos 21 anos, em 1986, ajudou a planejar a campanha do avô – Miguel Arraes. No ano seguinte torna-se chefe de Gabinete do governo Arraes. Depois vai disputar eleições, torna-se deputado, secretário de estado, ministro do governo Lula e governador de Pernambuco por duas vezes.

Campos estava dando o seu passo político mais importante: projetar a liderança que havia construído em Pernambuco e no PSB para o plano da política nacional. Foram praticamente 30 anos de atividade intensa para forjar e lapidar sua personalidade política e para galgar a condição de candidato à presidência da República. Teve em Arraes, um ícone da esquerda do século XX, uma espécie de Centauro Quíron – o tutor, educador e formador dos heróis antigos, dentre eles o mítico Aquiles.

Teria Campos as virtudes necessárias para ser um líder do tipo inovador, fundador de uma nova ordem política nacional? Difícil dizer, pois na história republicana tivemos apenas um líder com esta capacidade, que foi Getulio Vargas. Recentemente, Fernando Henrique Cardoso e Lula, com todas as suas diferenças, deram início à solução de dois problemas dramáticos do século XX. FHC encaminhou a solução do problema da inflação, que provocou muitas crises políticas e fracassos econômicos no século passado. Lula começou a enfrentar o pior problema da nossa história: as profundas desigualdades e a exclusão social. Passos importantíssimos foram dados nas duas direções, mas ambos precisam ser completados nos próximos anos. O governo Dilma se insere nesse contexto.

O fato é que Campos vinha assumindo um discurso que anunciava a intenção de aperfeiçoar o trabalho de seus antecessores e fazer algo que eles não conseguiram: reformar a ordem política nacional, cheia de vícios e malefícios. Absorvendo aspectos importantes do ideário de Marina Silva, sintetizado na tese da “nova política”, prometeu limpar a política nacional da presença dos Sarneys, dos Renans Calheiros, dos Collor etc. Entre outras coisas, prometia um país mais estável e previsível no seu ordenamento político e jurídico e uma Reforma Tributária, absolutamente necessária, pois o sistema tributário é uma das maiores fontes de injustiças e iniqüidades no Brasil por penalizar os pobres e beneficiar os ricos.

Quando Campos começou a plantar sua candidatura, pensava mais numa projeção para colher os frutos em 2018. Se as circunstâncias o favorecessem em 2014, talvez fosse prematuro, pois o seu projeto não estava plenamente amadurecido. Como bom aluno do Centauro (e talvez aqui o tutor tenha sido Lula), percebeu que precisava construir uma força política própria – o PSB – agregar organização mesmo sem vitórias, mas com avanços cumulativos, para poder alcançar o cume do triunfo um dia. Sem romper inteiramente no plano político, libertou-se da tutela do PT e de Lula para construir seu próprio exército, pois os líderes que não constroem sua força própria e vencem beneficiados pelas forças dos outros tendem ao fracasso, como bem mostrou Maquiavel. 

Percebeu que a ocasião para iniciar essa tarefa era 2014, pois as circunstâncias ofereciam um espaço para construir uma alternativa que fosse capaz de provocar rachaduras na polarização entre PT e PSDB. A deusa Fortuna sorriu-lhe ao oferecer-lhe, mais fruto do acaso do que de um projeto planejado, a oportunidade de agregar força com Marina Silva. Mas como essa deusa é matreira, e às vezes terrível, como foi o caso, aplicou-lhe um golpe definitivo e voltou a sorrir para Marina Silva.

A Ocasião de Marina Silva
Ao não compreender claramente o que Maquiavel havia ensinado e que Lula compreendeu com maestria ao construir o PT como força própria – que somente os profetas armados podem triunfar e que os desarmados fracassam – Marina foi negligente ao construir seu exército, sua força política. Não conseguindo legalizar a Rede, viu-se na contingência de se aliar a um líder mais poderoso do que ela (Eduardo Campos), o que é desaconselhável para quem pretende reformar ou refundar uma ordem existente. Pelo que havia acumulado em 2010, o seu momento seria 2014, mas a falta de força própria a colocou num plano secundário na grande batalha política das eleições presidenciais.

A deusa quis devolver-lhe essa ocasião, esse momento, ao custo de uma tragédia. Mesmo assim, Marina comandará um exército que não lhe é inteiramente fiel. E isto lhe trará problemas, seja no momento da batalha seja no momento do triunfo, na eventualidade de vencer as eleições. Terá que fazer concessões de saída, dando aval a acordos que Campos fizera e que ela não concordava. Ao se aliar a Campos numa posição subalterna, naquele primeiro momento, já perdeu seguidores. Ao assumir a cabeça da chapa, as concessões serão ainda mais profundas e ter-se-á que ver até que ponto elas não descaracterizarão o projeto original da Rede.

Quanto ao panorama político geral, aumenta significativamente o grau de incerteza acerca das eleições e também acerca do cenário de 2015. Aécio Neves e Dilma estão imediatamente ameaçados por Marina, como mostra a primeira pesquisa Datafolha após a tragédia. Dilma aparece com 36% das intenções de voto, Marina com 21% e Aécio com 20%. Num segundo turno, Marina bateria Dilma com 47% contra 43%, A direita política do país, por sua vez, pretenderá fazer de Marina uma candidata de direita, o que é uma tarefa difícil. Se Marina passar para um segundo turno contra Dilma, como reagirão os mercados e aos agentes econômicos? Marina fará ainda mais concessões para ser aceita pelos mercados, sacrificando no altar dos interesses econômicos o ideal da nova política? Se Marina triungar, a lógica diz que haveria perturbações e instabilidade política. Mas em política não há certezas absolutas e Marina, se eleita, não necessariamente fracassaria.


Aldo Fornazieri – Cientista Político e Professor da Escola de Sociologia e Política.

domingo, 17 de agosto de 2014

Asteroide se chocará com a Terra? Mesmo? 

Milhares de sites estariam divulgando que um asteroide irá se chocar com a Terra, com a alegação de que os astrônomos não saberiam o que fazer para nos proteger (oh céus)….

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Os cientistas identificaram um asteroide que pode estar vindo para uma colisão com a Terra daqui a 878 anos. Usando radar e medições ópticas feitas ao longo dos últimos 51 anos, pesquisadores descobriram que a probabilidade de um impacto em 2880 é de cerca de 2,48 x 10 -4 , que remete mais ou menos em cerca de 1 em 4000, ou seja, possível, mas bem improvável.

Clique para conferir a rota do asteroide 1959DA
Clique para conferir a rota do asteroide 1959DA

As consequências da colisão de um asteroide medindo mil metros de diâmetro são especulativas. Poderia um golpe direto destruir uma cidade inteira? Será que um impacto no oceano criaria um enorme tsunami capaz de inundar a costa adjacente?

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Aprender sobre os asteroides é fascinante e cientificamente importante, claro, mas há considerações práticas, assim, se um asteroide  um dia fosse encontrado e com ele a alta possibilidade de atingir a Terra, nós iríamos ter que fazer alguma coisa para impedir . Uma ideia seria atingir o asteroide perigoso com uma sonda espacial a força talvez seria suficiente para alterar a órbita do corpo. As características físicas da rocha será um grande fator para isso; se for de metal, rochas, ou uma pilha de escombros, ele irá reagir de forma diferente ao impacto.

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Voltando ao que interessa, diversas fontes estão citando informações mentirosas; essa é a razão pela qual exibo nesse artigo as informações e esclarecimentos reais embasados na própria NASA e fontes confiáveis (nota: Eles usam uma velha probabilidade de 1 em 300 para um impacto, também). Antes de sair compartilhando, pesquise sobre o assunto profundamente (FALO ISSO PARA AS NOSSAS POSTAGENS TAMBÉM) fico feliz quando alguém me corrige ou envia sugestão.
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