quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

A vida, entre o passado e o futuro

Além de querer mudar o passado, ou ficarem lamentando-o, por vezes procuramos reproduzi-lo, buscando repetir as coisas boas de antigamente. Essas tentativas tendem a originar frustrações. Lamentavelmente, os bons momentos não voltam nem, felizmente, os maus acontecimentos. Quando o passado porventura retorna, vem como caricatura, sem o mesmo paladar. O maravilhoso sabor do doce que comemos na infância é irreproduzível. E os pequenos perigos que ameaçam uma criança quase nunca geram risco para um adulto, afirma o psiquiatra Luiz Py.
Muitos sofrimentos emocionais pelos quais passamos estão ligados a duas coisas sem o menor sentido. Por um lado, uma busca inútil de prazeres antigos, ou velhas alegrias, impossíveis de serem reproduzidos. Ou então, um medo absurdo e desnecessário de acontecimentos negativos que não se repetirão. Em ambos os casos, estamos lidando – geralmente sem perceber conscientemente – com acontecimentos passados que são sentidos como ameaças ao nosso futuro ou como realizações desejáveis para o porvir. É importante nos darmos conta de que em geral não existe relação alguma entre o que foi vivenciado por nós no passado com o que poderemos usufruir no futuro.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Como andar para trás na telecomunicações

Na sociedade informacional um dos indicativos que permitem avaliar quanto um país está se preparando para não perder o pé de mudanças estruturais, tanto do ponto de vista produtivo e científico, quanto cultural e educativo, é a porcentagem da população que está conectada à internet. Há muitos outros, mas este permite entender o quanto a sociedade está envolvida com as novas formas de relacionamento, negócios, processos etc.
A Coréia do Sul costuma ser utilizada como exemplo nesta área. Em 2007, 99% da população já tinha acesso à banda larga. No Brasil, segundo a mais recente pesquisa do Comitê Gestor da Internet, em 2013, apenas 51% da população tinha acesso à rede mundial. E desses só 66% à banda larga.
Comparado com a Coréia, os dados brasileiros são pífios. Mas sua tragédia não é fruto do acaso, mas de uma política desastrada que teve seu ápice no quadriênio que está se encerrando e que teve à frente do ministério das Comunicações, o petista paranaense Paulo Bernardo.
Em 2010, o Brasil tinha um Plano Nacional de Banda Larga que iria ser implementado com o fortalecimento da Telebras. O plano previa levar acesso de qualidade a uma boa parte do país que era ignorada pelas teles e ainda tinha por objetivo incentivar a indústria nacional do setor. Com a chegada de Dilma à presidência e Bernardo às Comunicações, o plano foi jogado no lixo e se transformou num arremedo onde conexões de 1 mega seriam vendidas a 35 reais. Nem isso nunca funcionou.
O resultado pode ser observado agora nos resultados da última pesquisa do CGI. Em 2010, o Brasil ocupava o quarto lugar em proporção de conectados na América do Sul e estava praticamente empatado com os primeiros, Chile Argentina e Uruguai. De 2010 para cá, o Brasil despencou. Hoje é o sexto em proporção de conectados no continente e foi ultrapassado por Venezuela e Colômbia. E está numa posição distante, por exemplo, do Chile que tinha 45% de conectados em 2010 (o Brasil tinha 41%) e que hoje chegou em 67%.
banda larga
Ao mesmo tempo que retardou a conexão o desastre das políticas aplicadas por Paulo Bernardo permitiram às teles cobrar um dos preços mais altos do mundo por megabite no Brasil. Segundo pesquisa do professor Samy Dana, da FGV, o valor cobrado aqui é praticamente 100 vezes maior do que o do Japão, 50 vezes mais caro do que na Coréia do Sul e 8 vezes maior do que na Holanda.
E a pesquisa do CGI também aponta isso, que a maior parte dos brasileiros que não estão conectados tem o preço do serviço como maior impedimento.
O resultado é que na Classe A, 97% da população tem acesso a Internet e na classe B, 78%. Ja na Classe C o índice cai para 49%. E nas classes D e E despenca para 17%. Ou seja, na Classe A temos índices sul-coreanos de conexão. Nas classes D e E, estamos próximos ao Quênia e outros países africanos.
A opção pelo mercado e com pouca participação do Estado vigente no Brasil está sendo responsável pelo aprofundamento das desigualdades sociais. E vai ter impactos futuros bastante relevantes. Não se faz um Brasil mais justo olhando-se apenas para trás. É preciso olhar pra frente. E o que está à frente é a sociedade do conhecimento que poderia melhorar nossa educação, produção científica, negócios e mesmo a saúde. Há experiências excepcionais de atendimentos clínicos à distância para algumas especialidades tendo a banda larga como instrumento de aproximação entre paciente e médico.
Num momento em que Dilma discute quem deve ser o novo ministro das Comunicações, seria muito interessante que essa pesquisa do CGI fosse levada em consideração. O ministério das Comunicações numa sociedade informacional não é para amadores. E nem para entreguistas.
Fonte: Portal Forum

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Esquerda caviar ou direita mal resolvida?

O termo “esquerda caviar”, ao tentar associar a esquerda ao voto de pobreza, não é apenas intelectualmente falho, como também é moralmente desonesto. A expressão procura vender a ideia de que a esquerda deveria ser paupérrima, uma vez que defende um regime igualmente paupérrimo. Dupla mentira.

Leia mais no artigo de Rosana Pinheiro Machado http://bit.ly/13qyCS9
Quando alguém te chama assim, esta pessoa está amedrontada, mas também revoltada pelo sentimento de uma suposta traição de classe
cartacapital.com.br

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O jornalismo envergonhado

Por Luciano Martins Costa
Comentário para o programa radiofônico do Observatório da Imprensa, 21/11/2014
A semana do grande escândalo se encerra em tom de anticlímax, com os jornais informando que a Justiça encontrou apenas 7% do que esperava bloquear nas contas dos acusados no escândalo da Petrobras. O rastreamento do dinheiro em bancos da Alemanha, Canadá, China, Estados Unidos, Holanda, Uruguai e conhecidos paraísos fiscais encontrou contas zeradas e apenas R$ 47,8 milhões, dos R$ 720 milhões estimados pela contabilidade da investigação.
Perde impacto, portanto, a principal expectativa criada pela imprensa em torno do caso que envolve as maiores empreiteiras do país. Por outro lado, os jornais seguem manipulando dados do esquema de corrupção no campo partidário.
A tentativa de concentrar as acusações no núcleo governista ganha um caso patético na reportagem publicada pela Folha de S.Paulo na sexta-feira (21/11), sob o título “Dono da UTC tinha contato com pessoas ligadas a PT e PSDB” (ver aqui). Lá no pé do texto, o leitor paciente vai ficar sabendo que um desses contatos era com um ex-executivo do Banco Itaú que coletou doações da empreiteira para a candidatura do senador Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência da República.
No dia anterior, a edição digital da Folha-UOL tinha publicado outro texto (ver aqui) com o seguinte título: “Doações de investigadas na Lava Jato priorizam PP, PMDB, PT e oposição”. Ali, o principal destaque vai para parlamentares de menor expressão nacional, como três deputados do Partido Progressista eleitos no Paraná, além de citação à senadora Katia Abreu (PMDB-TO), que trocou recentemente a oposição pela bancada governista.
O levantamento se concentra nos partidos da base aliada, e deixa em segundo plano, no rodapé, figuras mais representativas, como as do senador José Serra e Antônio Anastasia, ex-governador de Minas Gerais, ambos do PSDB, além do deputado federal Ronaldo Caiado e seus colegas recém-eleitos José Carlos Aleluia, Alberto Fraga e Alexandre Leite, todos do Democratas.
Alguém pode imaginar um título como “Aécio Neves foi financiado por empresas investigadas na Lava Jato”? Ou “José Serra também recebeu doações de empreiteira na Lava Jato”?
A jogada da Folha de S.Paulo chega a ser ridícula, mas pior ainda é a edição dos outros jornais, ao omitir completamente a informação que a Folha tenta esconder, numa espécie de jornalismo envergonhado.
Os números da corrupção
É errado levantar suspeitas sobre todas as doações de campanha, mas, sem o viés partidário que domina a mídia tradicional no Brasil, qual seria a prática mais coerente com o bom jornalismo?
Em condições normais de sanidade nas redações, o principal destaque iria para os nomes mais vistosos. Portanto, Aécio Neves, José Serra e Antônio Anastasia seriam citados na abertura do texto, porque atrairiam mais curiosidade do leitor. Por que, então, eles aparecem apenas no rodapé?
Porque os editores sabem que não podem deixar de publicar toda a lista que lhes caiu nas mãos, mas também não desconhecem que, nas redes sociais, a maioria só vai ler o cabeçalho da reportagem.
No mais, o noticiário de sexta-feira (21) traz apenas relatos quase burocráticos com informações, declarações e dados colhidos seletivamente na rotina de vazamentos feitos pela polícia. Sem revelações bombásticas, a semana chegaria ao fim laconicamente, não fosse um corajoso artigo publicado também na Folha de S.Paulo pelo empresário Ricardo Semler (ver aqui), que nos anos 1980 se celebrizou por implantar em sua indústria, de maneira radical, os conceitos de gestão democrática e reengenharia corporativa.
Filiado ao PSDB há muitos anos, Semler conta que a empresa que herdou do pai, a Semco, deixou de vender equipamentos navais à Petrobras desde os anos 1970, porque era impossível fazer negócios com a estatal sem pagar propina. Além disso, observa, “o que muitos não sabem é que é igualmente difícil vender para muitas montadoras e incontáveis multinacionais sem antes dar propina para o diretor de compras”.
Semler lembra que em anos anteriores a corrupção roubava 5% do Produto Interno Bruto do Brasil; esse índice caiu para 3,1% e agora é calculado em 0,8% do PIB. “Onde estavam os envergonhados (que fazem passeatas) nas décadas em que houve evasão de R$ 1 trilhão – cem vezes mais do que o caso Petrobras – pelos empresários?”, questiona.
A novidade, de acordo com o articulista, é que os porcentuais da propina caíram, o que, segundo ele, justifica o título instigante do artigo: “Nunca se roubou tão pouco”.
Está aí uma boa pauta para as edições de domingo.

LDO mudou, mas a discussão do superavit primário não terminou.

Debate sobre superávit é equivocado, diz economista

Gabriela Korossy/ Câmara dos Deputados
Congresso aprovou a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2015 que reduz a meta de superávit primário; Economista Rodrigo Ávila diz que discussão sobre auditoria da dívida continua em segundo plano
10/12/2014
Por Bruno Pavan,


A jornada de discussões em torno do Projeto de Lei do Congresso Nacional (PLN) 36/14, que muda a forma de cálculo do superávit primário, foi encerrada no Congresso Nacional, ontem (9), após a rejeição da emenda do deputado Domingos Sávio (PSDB-MG); e encaminhada para a sanção da presidenta Dilma Rousseff.

O texto aprovado altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014. Entre outras diretrizes, a nova lei muda a forma de cálculo do superávit primário – cuja meta cai para R$ 55,3 bilhões – e desconta R$ 28,7 bilhões direcionados para as obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).

O debate acerca da pauta agitou a Câmara dos Deputados e o Senado Federal nas últimas semanas. Na quinta-feira passada (4), por exemplo, foram mais de 18 horas de sessão.

No entanto, para o economista e membro da Auditoria Cidadã da Dívida, Rodrigo Ávila, a discussão sobre o assunto precisa ser mais aprofundada, pois ocasiona diversos reflexos para o país. Para ele, é lamentável que o debate em volta da questão do superávit tenha virado “um circo político”.

“É muito esquisito que pessoas se mobilizem para pedir por mais ajuste fiscal que, no fundo, significa cortar gastos sociais e dar esse dinheiro para banqueiro. Um superávit maior não tem nada a ver com mais responsabilidade, é simplesmente mais dinheiro para pagar dívida”, explicou.

Auditoria

O cálculo do superávit primário envolve uma parcela do orçamento. É o resultado da diferença entre as chamadas “receitas primárias” (principalmente os tributos e receitas de privatizações) e as “despesas primárias” (os gastos sociais). Outra parte do orçamento é das chamadas receitas “não-primárias” que servem, segundo o economista, principalmente para viabilizar o pagamento da dívida pública.

“Nenhum dos dois lados está tocando no assunto sensível que é a auditoria de uma dívida que nunca foi feita. Deveria haver uma abolição completa desse conceito de economizar para pagar dívida, pois o superávit pode até diminuir, mas hoje ele representa só 10% do total desse pagamento. A escolha do Joaquim Levy como Ministro da Fazenda vai reforçar ainda mais essa ideia de ajustes fiscais no governo”, criticou.

domingo, 23 de novembro de 2014

O jornalismo do futuro com o avanço das telecomunicações

Telecomunicações e o jornalismo

Ericsson publica, a cada quatro meses, um relatório sobre o estado em que se encontram as telecomunicações móveis em todo o mundo. Acho-o muito legal, mas admito que a maioria das pessoas não concorde comigo, pois, da maior parte dos ângulos que se olha, é um tanto chato com aquele monte de números, tabelas e gráficos (coloridos, mas ainda assim…). Por isso, não pediria para ninguém ler se não achasse importante (pelo menos para quem se preocupa com coisas de somenos como o futuro do jornalismo).

O motivo de achar importante que você dê uma olhada no relatório da empresa sueca é a análise do bravo Alan D. Mutter. No artigo, o “newsosaur” avisa que, nos EUA, cerca de metade dos acessos às notícias já acontece por meio de aparelhos móveis (smartphones e tablets) e que o jornalismo feito para este tipo de dispositivo é, necessariamente, diferente do que é realizado hoje até mesmo para sites.
O primeiro argumento do pessoal mais antigo quando se depara com dados e análises desse tipo é que essa situação levará muito tempo para chegar aqui, no Bananão e, portanto, não há motivos para preocupações por enquanto. É aqui que entra o relatório da Ericsson. Ele mostra que a América Latina terá cerca de 600 milhões de smartphones em 2020, ou 65% do total – um crescimento de 30 pontos percentuais (hoje, os “telefones espertos” são 35% do total), sendo que Brasil e México responderão por 50% desses aparelhos. Em termos de assinaturas, a tecnologia dominante será a WCDMA/HSPA+ (em linguagem de gente e de marketing, 3G e 3G+), com 65% (40% hoje) ficando a LTE (4G) com 30%. Já a cobertura chegará a 90% para 3G e 65% para 4G.
Por que isso é importante? Porque a maior parte do tráfego será composta por imagens, principalmente vídeo, como mostra o relatório da Ericsson. E isso influencia o modo de fazer jornalismo, como diz Alan, porque os usuários de dispositivos móveis não têm disposição para ler longos textos escritos, exigindo gráficos, fixos e com movimento, e vídeos para facilitar o entendimento do contexto, de maneira, ao mesmo tempo, mais profunda e rápida. O “newsosaur” acredita que jornais e revistas estão reagindo lentamente a essa nova ecologia informacional – e se ele acha isso lá, imagine a opinião dele se conhecesse o panorama daqui.
No momento, paro por aqui, mas quando voltar ao assunto, falarei sobre as iniciativas do governo para acelerar esse processo. Por enquanto, fica a lista de leitura:
1. Relatório da Ericsson (e um sumário da parte referente à América Latina dos coleguinhas das publicações especializadas da editora Glasberg).
2. Artigo de Alan D. Mutter.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Coxinhas ou "white blocs?

O problema político não são os “coxinhas”.

3 de novembro de 2014 | 13:12 Autor: Fernando Brito

bolsonarobangbang

Todo mundo se lembra dos blackblocs e daqueles patetas com máscaras de “anonymous” que, um ano e meio atrás, eram a “sensação”  dos “movimentos” de rua. Desapareceram ou viraram grupinhos de “meia-dúzia”, sem qualquer significado social. Quando perderam a mídia, minguaram para isso.

Não tenham dúvidas de que é esse o destino dos “whiteblocs”  que fizeram as manifestações pró-ditadura, inclusive com o primor de selvageria do deputado Eduardo Bolsonaro subir ao palanque com uma pistola na cintura, dando à Avenida Paulista um toque de Imperatiz do Maranhão quando eu a conheci, nos anos 80. Nem lá, hoje, se vai a palanque de arma na cinta.

Seu perigo se limita a sua  própria loucura, como no caso do cinegrafista da Band, pelo  risco que colocam à integridade física e à vida dos passantes e da imprensa. São gravíssimos quanto a isso, mas pouco relevantes na política.

O problema político que Dilma terá de enfrentar não são os “coxinhas”.
São os “coxões”: da mídia, do Congresso, do Judiciário (e de partes do próprio Executivo) e do poder econômico. Formam uma trupe que tem seus bobos da corte, como Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino e outras peças do gênero, embora andem recebendo, até, o auxílio luxuoso de Fernando Henrique, com baboseiras como a de seu artigo de ontem, onde prega a “ofensiva” contra o governo eleito.

Em geral, porém, estão bem homiziados atrás de um discurso institucional, prontos a dizer que as suas vontades são a “verdade única” e o caminho obrigatório do governo que se elegeu apesar deles.
Os pobres (só de espírito, claro) “buchinhas” da Paulista são só uma emanação da sua vontade, como os blocs foram da oposição de direita.

Embora sirvam, neste momento, para manter como pauta da mídia um clima de acirramento e ódios que só existe numa parcela minúscula de inconformados com a democracia.
Como os seus antecessores mascarados.
No seu blog, no UOL, Mário Magalhães traça um bom retrato do que esta turma consegue: nada.
Perigosos são os outros, que os inspiram.

Protestos por impeachment aumentam margem de manobra de Dilma

Há protestos que, em vez de desfavorecer as pessoas e instituições que são seus alvos, prestam-se sem querer a ajudá-las.
Foi assim com determinadas manifestações no Rio que acabaram contribuindo para esvaziar as ruas e impedir a extrema-unção do governador Sérgio Cabral, que acabaria por eleger no voto o seu sucessor.
Os atos públicos ocorridos sábado em algumas cidades engrossam os exemplos de iniciativas que favorecem quem pretendem prejudicar.
Pediram o impeachment de Dilma Rousseff, recém-reeleita com 3.458.891 sufrágios a mais que o contendor. E intervenção militar para afastar a governante constitucional.
Na maior concentração, 2.500 pessoas em São Paulo, um líder cumprimentou os confrades: “Boa tarde, reaças“.
Foi o evento retratado acima. Alguém viu um negro na foto?
Convescotes como esse são tão caricaturais e inofensivos que facilitam a vida de Dilma.
Não está claro se ela vai cumprir o discurso à esquerda da campanha ou se, no segundo governo, embicará pelos caminhos à direita que condenou em palanque.
Com a extrema direita indo à luta, a presidente ficará mais à vontade para agir como quiser, pois o espantalho sombrio dará mais ares de legitimidade às suas decisões.
Entre quem foi consagrada nas urnas e quem reedita a ladainha golpista de meio século atrás, até muitos dos que votaram no senador Aécio Neves preferem empunhar o estandarte da democracia.
Sem os arremedos de Carlos Lacerda protestando, o contraste às próximas ações da petista seriam as propostas esgrimidas por Aécio Neves até o domingo retrasado.
Agora, ela tem como contraste quem rejeita a soberania do voto popular.
Ou seja, qualquer coisa é melhor do que rasgar a decisão do povo.
Cresce a margem de manobra da presidente.