Além de querer mudar o passado, ou ficarem lamentando-o, por vezes
procuramos reproduzi-lo, buscando repetir as coisas boas de antigamente.
Essas tentativas tendem a originar frustrações. Lamentavelmente, os
bons momentos não voltam nem, felizmente, os maus acontecimentos. Quando
o passado porventura retorna, vem como caricatura, sem o mesmo paladar.
O maravilhoso sabor do doce que comemos na infância é irreproduzível. E
os pequenos perigos que ameaçam uma criança quase nunca geram risco para um adulto, afirma o psiquiatra Luiz Py.
Muitos sofrimentos emocionais pelos quais passamos estão ligados a
duas coisas sem o menor sentido. Por um lado, uma busca inútil de
prazeres antigos, ou velhas alegrias, impossíveis de serem reproduzidos.
Ou então, um medo absurdo e desnecessário de acontecimentos negativos
que não se repetirão. Em ambos os casos, estamos lidando – geralmente
sem perceber conscientemente – com acontecimentos passados que são
sentidos como ameaças ao nosso futuro ou como realizações desejáveis
para o porvir. É importante nos darmos conta de que em geral não existe
relação alguma entre o que foi vivenciado por nós no passado com o que
poderemos usufruir no futuro.
É um espaço para avaliar e debater, sem pré-julgamentos e preconceitos, informações, valores e ideias disseminados pela indústria cultural que tendem e podem formar a opinião pública dentro de um pensamento único e sem compromisso com uma consciência crítica.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Como andar para trás na telecomunicações
Na sociedade informacional um dos
indicativos que permitem avaliar quanto um país está se preparando para
não perder o pé de mudanças estruturais, tanto do ponto de vista
produtivo e científico, quanto cultural e educativo, é a porcentagem da
população que está conectada à internet. Há muitos outros, mas este
permite entender o quanto a sociedade está envolvida com as novas formas
de relacionamento, negócios, processos etc.
A Coréia do Sul costuma ser utilizada
como exemplo nesta área. Em 2007, 99% da população já tinha acesso à
banda larga. No Brasil, segundo a mais recente pesquisa do Comitê Gestor da Internet, em 2013, apenas 51% da população tinha acesso à rede mundial. E desses só 66% à banda larga.
Comparado com a Coréia, os dados
brasileiros são pífios. Mas sua tragédia não é fruto do acaso, mas de
uma política desastrada que teve seu ápice no quadriênio que está se
encerrando e que teve à frente do ministério das Comunicações, o petista
paranaense Paulo Bernardo.
Em 2010, o Brasil tinha um Plano
Nacional de Banda Larga que iria ser implementado com o fortalecimento
da Telebras. O plano previa levar acesso de qualidade a uma boa parte do
país que era ignorada pelas teles e ainda tinha por objetivo incentivar
a indústria nacional do setor. Com a chegada de Dilma à presidência e
Bernardo às Comunicações, o plano foi jogado no lixo e se transformou
num arremedo onde conexões de 1 mega seriam vendidas a 35 reais. Nem
isso nunca funcionou.
O resultado pode ser observado agora nos
resultados da última pesquisa do CGI. Em 2010, o Brasil ocupava o
quarto lugar em proporção de conectados na América do Sul e estava
praticamente empatado com os primeiros, Chile Argentina e Uruguai. De
2010 para cá, o Brasil despencou. Hoje é o sexto em proporção de
conectados no continente e foi ultrapassado por Venezuela e Colômbia. E
está numa posição distante, por exemplo, do Chile que tinha 45% de
conectados em 2010 (o Brasil tinha 41%) e que hoje chegou em 67%.
Ao mesmo tempo que retardou a conexão o
desastre das políticas aplicadas por Paulo Bernardo permitiram às teles
cobrar um dos preços mais altos do mundo por megabite no Brasil. Segundo
pesquisa do professor Samy Dana, da FGV, o valor cobrado aqui é
praticamente 100 vezes maior do que o do Japão, 50 vezes mais caro do
que na Coréia do Sul e 8 vezes maior do que na Holanda.
E a pesquisa do CGI também aponta isso, que a maior parte dos
brasileiros que não estão conectados tem o preço do serviço como maior
impedimento.O resultado é que na Classe A, 97% da população tem acesso a Internet e na classe B, 78%. Ja na Classe C o índice cai para 49%. E nas classes D e E despenca para 17%. Ou seja, na Classe A temos índices sul-coreanos de conexão. Nas classes D e E, estamos próximos ao Quênia e outros países africanos.
A opção pelo mercado e com pouca participação do Estado vigente no Brasil está sendo responsável pelo aprofundamento das desigualdades sociais. E vai ter impactos futuros bastante relevantes. Não se faz um Brasil mais justo olhando-se apenas para trás. É preciso olhar pra frente. E o que está à frente é a sociedade do conhecimento que poderia melhorar nossa educação, produção científica, negócios e mesmo a saúde. Há experiências excepcionais de atendimentos clínicos à distância para algumas especialidades tendo a banda larga como instrumento de aproximação entre paciente e médico.
Num momento em que Dilma discute quem deve ser o novo ministro das Comunicações, seria muito interessante que essa pesquisa do CGI fosse levada em consideração. O ministério das Comunicações numa sociedade informacional não é para amadores. E nem para entreguistas.
Fonte: Portal Forum
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
Esquerda caviar ou direita mal resolvida?
O
termo “esquerda caviar”, ao tentar associar a esquerda ao voto de
pobreza, não é apenas intelectualmente falho, como também é moralmente
desonesto. A expressão procura vender a ideia de que a esquerda deveria
ser paupérrima, uma vez que defende um regime igualmente paupérrimo.
Dupla mentira.
Leia mais no artigo de Rosana Pinheiro Machado http://bit.ly/13qyCS9
Leia mais no artigo de Rosana Pinheiro Machado http://bit.ly/13qyCS9
Quando
alguém te chama assim, esta pessoa está amedrontada, mas também
revoltada pelo sentimento de uma suposta traição de classe
cartacapital.com.br
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
O jornalismo envergonhado
Por Luciano Martins Costa
Comentário para o programa radiofônico do Observatório da Imprensa, 21/11/2014
A semana do grande escândalo se encerra em tom de anticlímax, com os
jornais informando que a Justiça encontrou apenas 7% do que esperava
bloquear nas contas dos acusados no escândalo da Petrobras. O
rastreamento do dinheiro em bancos da Alemanha, Canadá, China, Estados
Unidos, Holanda, Uruguai e conhecidos paraísos fiscais encontrou contas
zeradas e apenas R$ 47,8 milhões, dos R$ 720 milhões estimados pela
contabilidade da investigação.
Perde impacto, portanto, a principal expectativa criada pela imprensa
em torno do caso que envolve as maiores empreiteiras do país. Por outro
lado, os jornais seguem manipulando dados do esquema de corrupção no
campo partidário.
A tentativa de concentrar as acusações no núcleo governista ganha um caso patético na reportagem publicada pela Folha de S.Paulo na sexta-feira (21/11), sob o título “Dono da UTC tinha contato com pessoas ligadas a PT e PSDB” (ver aqui).
Lá no pé do texto, o leitor paciente vai ficar sabendo que um desses
contatos era com um ex-executivo do Banco Itaú que coletou doações da
empreiteira para a candidatura do senador Aécio Neves (PSDB-MG) à
Presidência da República.
No dia anterior, a edição digital da Folha-UOL tinha publicado outro texto (ver aqui)
com o seguinte título: “Doações de investigadas na Lava Jato priorizam
PP, PMDB, PT e oposição”. Ali, o principal destaque vai para
parlamentares de menor expressão nacional, como três deputados do
Partido Progressista eleitos no Paraná, além de citação à senadora Katia
Abreu (PMDB-TO), que trocou recentemente a oposição pela bancada
governista.
O levantamento se concentra nos partidos da base aliada, e deixa em
segundo plano, no rodapé, figuras mais representativas, como as do
senador José Serra e Antônio Anastasia, ex-governador de Minas Gerais,
ambos do PSDB, além do deputado federal Ronaldo Caiado e seus colegas
recém-eleitos José Carlos Aleluia, Alberto Fraga e Alexandre Leite,
todos do Democratas.
Alguém pode imaginar um título como “Aécio Neves foi financiado por
empresas investigadas na Lava Jato”? Ou “José Serra também recebeu
doações de empreiteira na Lava Jato”?
A jogada da Folha de S.Paulo chega a ser ridícula, mas pior ainda é a edição dos outros jornais, ao omitir completamente a informação que a Folha tenta esconder, numa espécie de jornalismo envergonhado.
Os números da corrupção
É errado levantar suspeitas sobre todas as doações de campanha, mas,
sem o viés partidário que domina a mídia tradicional no Brasil, qual
seria a prática mais coerente com o bom jornalismo?
Em condições normais de sanidade nas redações, o principal destaque
iria para os nomes mais vistosos. Portanto, Aécio Neves, José Serra e
Antônio Anastasia seriam citados na abertura do texto, porque atrairiam
mais curiosidade do leitor. Por que, então, eles aparecem apenas no
rodapé?
Porque os editores sabem que não podem deixar de publicar toda a lista
que lhes caiu nas mãos, mas também não desconhecem que, nas redes
sociais, a maioria só vai ler o cabeçalho da reportagem.
No mais, o noticiário de sexta-feira (21) traz apenas relatos quase
burocráticos com informações, declarações e dados colhidos seletivamente
na rotina de vazamentos feitos pela polícia. Sem revelações
bombásticas, a semana chegaria ao fim laconicamente, não fosse um
corajoso artigo publicado também na Folha de S.Paulo pelo empresário Ricardo Semler (ver aqui),
que nos anos 1980 se celebrizou por implantar em sua indústria, de
maneira radical, os conceitos de gestão democrática e reengenharia
corporativa.
Filiado ao PSDB há muitos anos, Semler conta que a empresa que herdou
do pai, a Semco, deixou de vender equipamentos navais à Petrobras desde
os anos 1970, porque era impossível fazer negócios com a estatal sem
pagar propina. Além disso, observa, “o que muitos não sabem é que é
igualmente difícil vender para muitas montadoras e incontáveis
multinacionais sem antes dar propina para o diretor de compras”.
Semler lembra que em anos anteriores a corrupção roubava 5% do Produto
Interno Bruto do Brasil; esse índice caiu para 3,1% e agora é calculado
em 0,8% do PIB. “Onde estavam os envergonhados (que fazem passeatas) nas
décadas em que houve evasão de R$ 1 trilhão – cem vezes mais do que o
caso Petrobras – pelos empresários?”, questiona.
A novidade, de acordo com o articulista, é que os porcentuais da
propina caíram, o que, segundo ele, justifica o título instigante do
artigo: “Nunca se roubou tão pouco”.
Está aí uma boa pauta para as edições de domingo.
LDO mudou, mas a discussão do superavit primário não terminou.
Debate sobre superávit é equivocado, diz economista
Gabriela Korossy/ Câmara dos Deputados
Congresso aprovou a Lei de
Diretrizes Orçamentárias de 2015 que reduz a meta de superávit primário;
Economista Rodrigo Ávila diz que discussão sobre auditoria da dívida
continua em segundo plano
10/12/2014
Por Bruno Pavan,A jornada de discussões em torno do Projeto de Lei do Congresso Nacional (PLN) 36/14, que muda a forma de cálculo do superávit primário, foi encerrada no Congresso Nacional, ontem (9), após a rejeição da emenda do deputado Domingos Sávio (PSDB-MG); e encaminhada para a sanção da presidenta Dilma Rousseff.
O texto aprovado altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014. Entre outras diretrizes, a nova lei muda a forma de cálculo do superávit primário – cuja meta cai para R$ 55,3 bilhões – e desconta R$ 28,7 bilhões direcionados para as obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).
O debate acerca da pauta agitou a Câmara dos Deputados e o Senado Federal nas últimas semanas. Na quinta-feira passada (4), por exemplo, foram mais de 18 horas de sessão.
No entanto, para o economista e membro da Auditoria Cidadã da Dívida, Rodrigo Ávila, a discussão sobre o assunto precisa ser mais aprofundada, pois ocasiona diversos reflexos para o país. Para ele, é lamentável que o debate em volta da questão do superávit tenha virado “um circo político”.
“É muito esquisito que pessoas se mobilizem para pedir por mais ajuste fiscal que, no fundo, significa cortar gastos sociais e dar esse dinheiro para banqueiro. Um superávit maior não tem nada a ver com mais responsabilidade, é simplesmente mais dinheiro para pagar dívida”, explicou.
Auditoria
O cálculo do superávit primário envolve uma parcela do orçamento. É o resultado da diferença entre as chamadas “receitas primárias” (principalmente os tributos e receitas de privatizações) e as “despesas primárias” (os gastos sociais). Outra parte do orçamento é das chamadas receitas “não-primárias” que servem, segundo o economista, principalmente para viabilizar o pagamento da dívida pública.
“Nenhum dos dois lados está tocando no assunto sensível que é a auditoria de uma dívida que nunca foi feita. Deveria haver uma abolição completa desse conceito de economizar para pagar dívida, pois o superávit pode até diminuir, mas hoje ele representa só 10% do total desse pagamento. A escolha do Joaquim Levy como Ministro da Fazenda vai reforçar ainda mais essa ideia de ajustes fiscais no governo”, criticou.
domingo, 23 de novembro de 2014
O jornalismo do futuro com o avanço das telecomunicações
Telecomunicações e o jornalismo
Ericsson publica, a cada quatro meses, um relatório sobre o estado em que se encontram as telecomunicações móveis em todo o mundo. Acho-o muito legal, mas admito que a maioria das pessoas não concorde comigo, pois, da maior parte dos ângulos que se olha, é um tanto chato com aquele monte de números, tabelas e gráficos (coloridos, mas ainda assim…). Por isso, não pediria para ninguém ler se não achasse importante (pelo menos para quem se preocupa com coisas de somenos como o futuro do jornalismo).
O primeiro argumento do pessoal mais antigo quando se depara com dados e análises desse tipo é que essa situação levará muito tempo para chegar aqui, no Bananão e, portanto, não há motivos para preocupações por enquanto. É aqui que entra o relatório da Ericsson. Ele mostra que a América Latina terá cerca de 600 milhões de smartphones em 2020, ou 65% do total – um crescimento de 30 pontos percentuais (hoje, os “telefones espertos” são 35% do total), sendo que Brasil e México responderão por 50% desses aparelhos. Em termos de assinaturas, a tecnologia dominante será a WCDMA/HSPA+ (em linguagem de gente e de marketing, 3G e 3G+), com 65% (40% hoje) ficando a LTE (4G) com 30%. Já a cobertura chegará a 90% para 3G e 65% para 4G.
Por que isso é importante? Porque a maior parte do tráfego será composta por imagens, principalmente vídeo, como mostra o relatório da Ericsson. E isso influencia o modo de fazer jornalismo, como diz Alan, porque os usuários de dispositivos móveis não têm disposição para ler longos textos escritos, exigindo gráficos, fixos e com movimento, e vídeos para facilitar o entendimento do contexto, de maneira, ao mesmo tempo, mais profunda e rápida. O “newsosaur” acredita que jornais e revistas estão reagindo lentamente a essa nova ecologia informacional – e se ele acha isso lá, imagine a opinião dele se conhecesse o panorama daqui.
No momento, paro por aqui, mas quando voltar ao assunto, falarei sobre as iniciativas do governo para acelerar esse processo. Por enquanto, fica a lista de leitura:
1. Relatório da Ericsson (e um sumário da parte referente à América Latina dos coleguinhas das publicações especializadas da editora Glasberg).
2. Artigo de Alan D. Mutter.
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Coxinhas ou "white blocs?
O problema político não são os “coxinhas”.
3 de novembro de 2014 | 13:12 Autor: Fernando Brito
Todo mundo se lembra dos blackblocs e daqueles patetas com máscaras de “anonymous” que, um ano e meio atrás, eram a “sensação” dos “movimentos” de rua. Desapareceram ou viraram grupinhos de “meia-dúzia”, sem qualquer significado social. Quando perderam a mídia, minguaram para isso.
Não tenham dúvidas de que é esse o destino dos “whiteblocs” que fizeram as manifestações pró-ditadura, inclusive com o primor de selvageria do deputado Eduardo Bolsonaro subir ao palanque com uma pistola na cintura, dando à Avenida Paulista um toque de Imperatiz do Maranhão quando eu a conheci, nos anos 80. Nem lá, hoje, se vai a palanque de arma na cinta.
Seu perigo se limita a sua própria loucura, como no caso do cinegrafista da Band, pelo risco que colocam à integridade física e à vida dos passantes e da imprensa. São gravíssimos quanto a isso, mas pouco relevantes na política.
O problema político que Dilma terá de enfrentar não são os “coxinhas”.
São os “coxões”: da mídia, do Congresso, do Judiciário (e de partes do próprio Executivo) e do poder econômico. Formam uma trupe que tem seus bobos da corte, como Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino e outras peças do gênero, embora andem recebendo, até, o auxílio luxuoso de Fernando Henrique, com baboseiras como a de seu artigo de ontem, onde prega a “ofensiva” contra o governo eleito.
Em geral, porém, estão bem homiziados atrás de um discurso institucional, prontos a dizer que as suas vontades são a “verdade única” e o caminho obrigatório do governo que se elegeu apesar deles.
Os pobres (só de espírito, claro) “buchinhas” da Paulista são só uma emanação da sua vontade, como os blocs foram da oposição de direita.
Embora sirvam, neste momento, para manter como pauta da mídia um clima de acirramento e ódios que só existe numa parcela minúscula de inconformados com a democracia.
Como os seus antecessores mascarados.
No seu blog, no UOL, Mário Magalhães traça um bom retrato do que esta turma consegue: nada.
Perigosos são os outros, que os inspiram.
Protestos por impeachment aumentam margem de manobra de Dilma
Há protestos que, em vez de desfavorecer as pessoas e instituições que são seus alvos, prestam-se sem querer a ajudá-las.Foi assim com determinadas manifestações no Rio que acabaram contribuindo para esvaziar as ruas e impedir a extrema-unção do governador Sérgio Cabral, que acabaria por eleger no voto o seu sucessor.
Os atos públicos ocorridos sábado em algumas cidades engrossam os exemplos de iniciativas que favorecem quem pretendem prejudicar.
Pediram o impeachment de Dilma Rousseff, recém-reeleita com 3.458.891 sufrágios a mais que o contendor. E intervenção militar para afastar a governante constitucional.
Na maior concentração, 2.500 pessoas em São Paulo, um líder cumprimentou os confrades: “Boa tarde, reaças“.
Foi o evento retratado acima. Alguém viu um negro na foto?
Convescotes como esse são tão caricaturais e inofensivos que facilitam a vida de Dilma.
Não está claro se ela vai cumprir o discurso à esquerda da campanha ou se, no segundo governo, embicará pelos caminhos à direita que condenou em palanque.
Com a extrema direita indo à luta, a presidente ficará mais à vontade para agir como quiser, pois o espantalho sombrio dará mais ares de legitimidade às suas decisões.
Entre quem foi consagrada nas urnas e quem reedita a ladainha golpista de meio século atrás, até muitos dos que votaram no senador Aécio Neves preferem empunhar o estandarte da democracia.
Sem os arremedos de Carlos Lacerda protestando, o contraste às próximas ações da petista seriam as propostas esgrimidas por Aécio Neves até o domingo retrasado.
Agora, ela tem como contraste quem rejeita a soberania do voto popular.
Ou seja, qualquer coisa é melhor do que rasgar a decisão do povo.
Cresce a margem de manobra da presidente.
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